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Hollande: “Justificam-se as restrições temporárias à liberdade”

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O presidente francês fez referência aos encontros que terá com Obama e Putin na próxima semana, sublinhando a necessidade de uma ação coordenada contra o Daesh

CHRISTOPHE PETIT TESSON / EPA

Presidente francês dirigiu-se esta quarta-feira aos autarcas franceses lembrando que o país se deve manter unido, afastando discursos xenófobos ou racistas. Hollande voltou a reforçar a necessidade de garantir a segurança dos franceses e de uma ação contra o Daesh. “A nossa coesão é a melhor resposta”, disse, sublinhando e explicando a necessidade da declaração de “estado de emergência”

O presidente francês, François Hollande, afirmou esta quarta-feira que a necessidade de garantir a segurança dos franceses neste momento é prioritária e que, por isso, se “justificam as restrições temporárias à liberdade”. Numa reunião que juntou dois mil autarcas franceses, Hollande disse ainda esperar que essas restrições sejam repostas o mais depressa possível.

Nesse reforço da segurança a nível nacional, Hollande sublinhou a importância do papel das autarquias - por conhecerem melhor a população e estarem mais próximas das pessoas. Apelando a que não haja divisões e que os franceses tenham uma atitude tolerante, François Hollande disse que neste momento “não há mais do que homens e mulheres, conscientes da sua responsabilidade”.

“A nossa coesão é a melhor resposta”, disse, lembrando que os atentados da passada sexta-feira em Paris foram “um ataque a tudo o que a França representa” e que estes atentados ”atingiram todos”, sem olhar à “origem, cor e religião”. E acrescentou: “Nenhum ato xenófobo, antisemita, antimuçulmano deve ser tolerado”.

“Algumas pessoas têm querido estabelecer uma ligação entre o fluxo de refugiados vindos do Médio Oriente e a ameaça terrorista que pesa sobre o nosso país. A ligação existe, porque os habitantes das zonas do Iraque e da Síria, controladas pelo Daesh, são martirizadas pelos que nos atacam hoje.”

O presidente confirmou que o país irá receber 30 mil refugiados e que os ataques não irão alterar essa atitude. Acrescentou, porém, que será necessário fazer uma verificação intensa, visto ser necessário assegurar a segurança nacional. “O nosso dever de humanidade no que toca aos refugiados está a par do nosso dever de proteção dos franceses“, declarou.

Hollande voltou a fazer referência a uma proposta de revisão constitucional, para que exista um “quadro jurídico robusto para fazer face a situações extraordinárias”, como o caso destes ataques terroristas. O presidente francês diz que haverá reunião do Conselho de Estado, e que as discussões serão feitas com um diálogo estreito entre o Governo e o Parlamento.

Ação internacional

No plano internacional, o presidente francês faz referência à “intensificação” das operações militares na Síria, assim como a necessidade de multiplicar a capacidade militar de França.

François Hollande sublinhou ainda a necessidade de coordenação da ação internacional, lembrando que se vai encontrar em Washington na próxima terça-feira com o presidente norte-americano Barack Obama, e na quinta-feira com o homólogo russo, Vladimir Putin, em Moscovo.

Em causa está a necessidade de agir com uma “coligação alargada”, com uma atitude decisiva e coordenada.

“O Daesh é a causa”, voltou a repetir, lembrando que a guerra é contra o autoproclamado Estado Islâmico. Não foi a França que declarou guerra, mas sim esta organização terrorista, declarou.

O Daesh “dispõe de um exército, de recursos financeiros, de petróleo, ocupa um território, tem cumplicidades na Europa e no nosso próprio país, entre os nossos jovens que se radicalizaram”.

Reconhecendo que nem todos os países partilham os mesmos interesses, nem pensam da mesma forma, Hollande lembrou que o Daesh ameaça o mundo inteiro e acrescentou que a França assumirá a sua posição e terá um “papel maior” na ação contra o grupo terrorista.

O chefe de Estado francês declarou ainda que em causa está “uma guerra longa em que o Estado de Direito irá prevalecer”.

“A França continuará a ser um país de liberdade, que não cede ao medo”, declarou. “O nosso dever é de continuar a viver”, acrescentou, lembrando ser importante assegurar que os franceses continuem a circular, a viajar e a viverem com confiança no seu país.