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Internacional

Realizado nos EUA o transplante facial mais extenso de sempre

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Um bombeiro que teve queimaduras muito extensas em 2001, recebeu a face de um jovem de 26 anos que morreu no verão depois de um acidente

Luís M. Faria

Jornalista

Há dias, foi revelado ao mundo o resultado do mais extenso transplante facial alguma vez realizado. Patrick Hardison, um bombeiro de 41 anos, recebeu o rosto de um jovem de 26 anos que faleceu após um acidente de bicicleta no verão. A operação, realizada no Centro Médico Langone (New York University) ao longo de 26 horas, é agora contada num extenso artigo da revista "New York".

Em setembro de 2001, Hardison sofreu queimaduras extensas ao atender a um incêndio no Mississippi. Uma primeira operação transplantou-lhe carne das coxas para a face, mas ele manteve um aspeto que, conforme admite, continuava a assustar as crianças na rua. Ao longo dos anos seguintes, fez setenta e uma operações, ingerindo ao mesmo tempo medicamentos em quantidade suficiente para fazer subir o seu risco de futuramente vir a ter cancro, entre outros problemas clínicos.

Agora, conseguiu finalmente ficar com algo que se parece com um rosto humano. A operação não é a primeira do género. Desde que em 2005 uma mulher francesa de 38 anos recebeu o primeiro transplante facial (após um cão lhe ter desfeito a cara), houve outros casos muito publicitados, incluindo um em Espanha, em 2010, de um homem com 31 anos que terá feito o primeiro transplante total.

No caso do jovem ciclista falecido, o cirurgião Eduardo Rodriguez começou por separar o escalpe do crânio, trabalhando de trás para a frente. O nariz teve ser serrado. “O truque foi cortar o tecido e ao mesmo tempo preservar nervos, músculos e as artérias carótidas e as veias jugulares internas – os ‘grandes tubos’”, como explica o artigo da "New York".

Rodriguez lembra que um dia haverá uma rejeição: “Não é se, mas quando”. Entre três e cinco dos doentes que já fizeram transplantes faciais morreram em consequência do mesmo. Mas, para já, Hardison parece estar satisfeito com o resultado da operação. Pelo menos já não lhe chamam monstro na rua.