Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Hollande promete guerra. “Estes assassinos não representam a civilização”

  • 333

PHILIPPE WOJAZER / Reuters

Presidente francês reitera que o país “está em guerra” e que vai intensificar os ataques na Síria como resposta aos atentados em Paris. “O inimigo da Síria é o Estado Islâmico”, disse esta tarde Hollande no Palácio de Versalhes, anunciando o reforço dos meios de combate ao terrorismo no país

Num discurso perante as duas câmaras do Parlamento, juntas, no Palácio de Versalhes, François Hollande declarou esta tarde que o terrorismo ameaça o mundo inteiro e garante que a França não se vergará com medo. O Presidente francês aproveitou a oportunidade para afirmar que o país vai intensificar os ataques na Síria, junto do quartel-general do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

“Atacam a França pois somos a casa da liberdade e dos Direitos Humanos. Isto não é uma guerra de civilizações, porque estes assassinos não representam qualquer civilização”, afirmou Hollande.

Sublinhando que o país está de luto, o chefe do Estado gaulês defendeu que povos como a França, que vivem em liberdade, “não se deixam impressionar com o terror” e que a democracia tem a capacidade de “reagir contra o terrorismo”, apesar das perdas humanas e dos traumas causados.

“Lembramos os inocentes que morreram atacados pelos terroristas nas ruas e nos subúrbios de Paris. Outras centenas de jovens, raparigas e rapazes estão traumatizados pelos ataques. Alguns ainda estão a lutar pelas suas vidas”, afirmou, frisando que os “atos de guerra” foram planeados na Síria e organizados na Bélgica.

Referindo-se à Síria como “a maior fábrica de terroristas que o mundo conheceu”, que tem como “inimigo o Estado Islâmico”, Hollande sustentou que é vital intensificar os ataques à base da organização jiadista. E lembrou que o terrorismo ameaça o mundo inteiro, cabendo à comunidade internacional unir-se nessa luta que deverá ser longa.

Numa altura em que a Europa enfrenta a pressão dos refugiados, o Presidente francês continuou a defender o dever de receber os ciddãos que fogem dos conflitos e da miséria em países como a Síria e que não se pode confundir refugiados com terrorismo. “Foram franceses que mataram outros franceses na sexta-feira”, lembrou.

Hollande anunciou ainda que o país vai apostar no reforço dos agentes de polícia para os próximos anos, sendo que até 2018 não haverá redução do número de efetivos das Forças Armadas. Apelou também aos deputados para refletirem na necessidade de a Constituição ser alterada para permitir prolongar o estado de emergência no país por três meses, uma medida que deverá ser votada na quarta-feira.

Reforço das medidas contra o terrorismo

O Presidente francês explicou que pretende impedir o regresso de cidadãos com dupla nacionalidade e ligações ao terrorismo, assim como agravar as penas para condenações por atos terroristas.

Revelou também que pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) uma recomendação contra o terrorismo e que deverá reunir-se nos próximos dias com Barack Obama e Vladimir Putin para debater o combate a este flagelo.

Sobre a Cimeira do Clima, que arrancará no próximo dia 29 em Paris, Hollande disse que se trata de um evento muito importante, que representa a "esperança na vida e no planeta". E apelou aos franceses para retomarem às suas rotinas, saindo de casa para trabalhar e “viver sem medo”.

“Viva a República, viva a França”, rematou.