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Birmânia. Vencedores e vencidos lado a lado no Parlamento

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Aung San Suu Kyi na reabertura dos trabalhos parlamentares, uma semana após as eleições de 8 de novembro

SOE ZEYA TUN/REUTERS

Por uma “bizarria legal, os deputados regressam hoje ao plenário com vencedores das eleições de 8 de novembro remetidos para a oposição pelo menos até final de janeiro de 2016, data em que o novo Parlamento toma posse

Apesar de ter vencido as eleições de 8 de novembro, Aung Suu Kyi regressou, hoje,segunda-feira, ao Parlamento na qualidade deputada e sentou-se lado a lado com os seus congéneres derrotados da União da Solidariedade e do Desenvolvimento (USDP). A líder da Liga Nacional para a Democracia (LNPD) e as quase quatro dezenas de deputados já eleitos pelo seu partido são remetidos para a oposição parlamentar até ao final de janeiro de 2016, data em que o novo Parlamento toma posse.

Para os analistas, os próximos meses serão de negociações decisivas para a definição de como será a eleição do futuro presidente da Birmânia, rebatizada Myanmar pela ditadura militar. Em jogo está também a forma como o exército sairá da vida política de um país que vive há mais de 5o anos sob as botas dos militares.

“Preparemos terreno para para permitir ao novo primeiro-ministro trabalhar”, afirmou o presidente da assembleia, Shwe Mann na reabertura dos trabalhos parlamentares. Mann pediu assim aos deputados vencidos para aceitarem o resultado das urnas. “A maior parte dos deputados, incluindo eu, perdemos e não temos razão para voltar”, salientou o presidente da assembleia. “Mas, mesmo que não regressemos, devemos dar o nosso melhor para assumir as responsabilidades parlamentares, dentro da honestidade e da fidelidade”, acrescentou.

Futuro orçamento já em discussão

Um “fair-play” tanto mais necessário quanto estes últimos debates da legislatura vão definir o Orçamento de Estado para o próximo ano, que será herdado pelo novo governo da LNPD.

Na sessão de reabertura dos trabalhos, os deputados militares – que detêm 25% dos lugares e não são eleitos foram os primeiros a aparecer na assembleia. Fardados, recusaram tomar da palavra. Uma boa parte dos representantes da USDP faltaram.

Na véspera, domingo, o porta-voz da LND tinha expressado o seu receio quanto a esta transição que vai demorar alguns meses. Citado pela agência France-Presse, Win Htein admitiu a sua “inquietação de que a história não se repita” e de que a transição “não seja 100% perfeita”. Recorde-se que em 1991, a LND de Suu Kyi venceu as eleições com 80% dos votos, resultado que a junta miliatr não reconheceu e que valeu à Prémio Nobel da Paz quinze anos de prisão domiciliária.