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Ismael, o francês kamikaze do Bataclan

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O Bataclan é uma casa de espectáculos situada na Boulevard Voltaire

JACQUES DEMARTHON/Getty

Ismael Omar Mostefai foi rapidamente identificado graças a um dedo encontrado no Bataclan. Depois de ter participado no massacre de dezenas de pessoas na sala de espetáculos parisiense fez explodir o seu cinto de explosivos. Rusgas em curso em França e na Bélgica

Foi um dos sete ou oito terroristas que, na sexta-feira à noite, lançaram o terror e a morte em Paris. Armado com uma Kalashnikov e um cinto de explosivos, entrou no Bataclan com mais dois membros de um comando e participou na chacina, disparando rajadas para matar o maior número possíves das pessoas que assistiam a um concerto (89 mortos e dezenas de feridos graves, segundo o último balanço).

Graças a um dedo foi rapidamente identificado por ter ficha na polícia. O procurador de Paris, François Molins, informou que tinha passado ligado a oito pequenos delitos de direito comum e fazia objeto de uma ficha por “radicalização” religiosa. Mas nunca tinha estado implicado num dossiê ligado a redes ou a “associações de malfeitores terroristas”, acrescentou o procurador.

Chamava-se Ismael Omar Mostefai e faria 30 anos dentro de dias, a 21 de novembro. Filho de pais argelinos, nascera na periferia de Paris (na localidade de Courcouronnes). Teria estado na Síria durante o inverno de 2013/2014, mas esta última informação ainda não foi oficialmente confirmada. Apenas se sabe que há registos de uma sua passagem, nesse período, pela Turquia.

Pelo menos o seu pai, um irmão e a mulher deste último foram detidos para interrogatório na noite de sábado para domingo. O irmão, de 34 anos, que se dirigiu à policia pelo seu próprio pé, disse que tinha poucos contactos com Ismael, com quem teria tido problemas familiares, e garantiu não saber que ele teria abraçado o radicalismo religioso e o jiadismo. Afirmou também que ele teria partido há uns anos para a Argélia, com a sua mulher e “a sua filha pequena”.

Ismael faria parte de uma família de origem argelina com três irmãos e duas irmãs. Habitantes de um bairro dos arredores da cidade de Chartres, onde Ismael tinha residência oficial. disseram que ele tinha saído do bairro “há dois ou três anos”. No entanto a sua ficha na polícia registará que, em 2014, que ele estaria na região, onde “seria um simples membro de um grupo de salafistas de Chartres”, segundo o jornal “Le Monde”.

O caso de um passaporte sírio

De acordo com este jornal, o assassino do Bataclan estaria ligado a um marroquino islamita radical residente na Bélgica, o que confirmaria a eventual existência de uma rede jiadista franco-belga.

Três ou quatro pessoas teriam aliás sido já presas na Bélgica, possivelmente em ligação com os ataques da capital francesa

Os sete terroristas Kamikazes que atacaram em Paris na sexta-feira à noite morreram devido à explosão dos seus cintos. Neste domingo de manhã, ainda não se sabe se haverá terroristas em fuga e as autoridades lançaram rusgas em diversas zonas do país e em meios ligados ao integrismo religioso.

Os atentados fizeram 129 mortos , 352 feridos, dos quais 99 continuam em estado muito grave.

Hoje, domingo, será marcado pelo luto, com cerimónias religiosas previstas na maioria das igrejas e catedrais, designadamente da de Notre-Dame, no centro de Paris.

Até agora, apenas Ismael foi oficialmente identificado. Os investigadores encontraram um alegado passaporte sírio perto do corpo de um dos três Kamikazes que se fizeram explodir, igualmente na sexta-feira à noite, nos arredores do Estádio de França. Seria um documento que pertenceria a um migrante registado na Grécia mas as autoridades francesas não fornecem grandes detalhes sobre esta informação delicada que teria sido confirmada pelo Governo de Atenas e que significaria que terroristas teriam chegado à União Europeia infiltrados no meio dos refugiados.