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Internacional

Cimeira do G20 discute ameaça terrorista

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O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, à chegada da cerimónia de abertura da cimeira do G20

Chris McGrath / Getty Images

A agenda já estava definida antes dos acontecimentos desta sexta-feira em Paris. Relação entre a guerra na Síria, rotas de migrantes e refugiados e ameaça jiadista é um dos temas em destaque. “Não devemos misturar diferentes categorias de pessoas a chegar à Europa”, alerta o presidente da Comissão Europeia

François Hollande é a ausência mais sentida na 10ª edição da cimeira anual de chefes de Estado e de Governo do G20, que decorre este domingo em Antalya, na Turquia. Dois dias depois dos ataques que esta sexta-feira ocorreram em Paris, reivindicados pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh), o Presidente francês está centrado na situação interna do país, que vê as investigações policiais e operações de segurança reforçadas na sequência dos atentados.

Os restantes líderes do G20 encontram-se este domingo reunidos na Turquia para discutir a ameaça dos infiltrados do Daesh nas rotas dos migrantes e refugiados, um “tema quente” no rescaldo dos ataques de sexta-feira. E ainda mais quando este sábado se descobriu um passaporte sírio junto do corpo de um dos atacantes, que terá chegado à Europa a partir da Grécia, usando uma rota típica dos refugiados. O passaporte, no entanto, ainda não se provou ser verdadeiro nem sequer pertencer a um dos atacantes.

Antes do início da cimeira (que aborda a crise migratória, terrorismo e alterações climáticas), o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker sublinhou que “não devemos misturar diferentes categorias de pessoas a chegar à Europa. Aqueles responsáveis pelos ataques em Paris... são criminosos e não refugiados nem requerentes de asilo”.

Juncker pediu também àqueles que “na Europa estão a tentar mudar a agenda sobre as migrações” para “serem sérios sobre este assunto”. Embora reconheça as dificuldades, o presidente da Comissão “não vê necessidade em alterar a abordagem geral” da União Europeia (UE).

A agenda do G20, elaborada antes dos atentados na capital francesa, aborda ainda este problema como parte da guerra na Síria, que deverá causar divergências durante a cimeira, com alguns líderes a apelarem a um maior controlo nas fronteiras e outros a pedirem o respeito dos acordos de Schengen. Apesar das divergências, os atentados em Paris podem levar os líderes do G20 a aumentarem os controlos nas fronteiras e a segurança nos aeroportos.

“Acredito que a nossa posição contra o terrorismo internacional será expressa numa mensagem muito forte, uma mensagem do G20”, declarou este domingo o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan, depois da reunião mantida com o homólogo norte-americano Barack Obama no arranque da cimeira das principais economias avançadas e emergentes do mundo.

Obama, por sua vez, garantiu “esforços redobrados” para eliminar a ameaça do Daesh, que reivindicou os atentados desta sexta-feira em seis locais de Paris, causando pelo menos 129 mortos e 352 feridos.