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Paris. “Começaram a disparar à cega sobre as pessoas com armas automáticas”

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CHRISTIAN HARTMANN/REUTERS

Testemunhas em estado de choque relatam ter visto cenas de apocalipse em Paris, que foi atingida na noite de sexta para sábado por uma série de sete ataques terroristas.

Uma rapariga que estava num café junto à sala de espetáculos Le Bataclan, onde se verificou uma carnificina com pelo menos 80 mortos, disse que fugiu aos gritos durante o tiroteio e que tropeçou em dois corpos sem vida.

Foi uma noite de inacreditável terror. Às 2h locais (1h em Portugal), o balanço oficial provisório era de 118 mortos e numerosos feridos, dezenas deles em estado muito grave.

O estado de emergência foi decretado e militares reforçaram as patrulhas da polícia em Paris, que a essa hora parecia verdadeiramente uma cidade em guerra. Escolas, universidades não abrirão neste sábado e diversas linhas de metro e de autocarros foram fechadas.

Os parisienses fechavam-se em casa chocados e colados às notícias aterradoras.

Durante a noite ninguém circulava numa vasta zona de Paris, designadamente na parte central da cidade. As zonas da Bastilha e da República e toda as zonas adjacentes à Boulevard Voltaire, onde se encontra o Bataclan e onde reside este correspondente, estavam literalmente ocupadas pelas forças especiais e militares.

Ninguém ousava sair à rua, todas as sombras eram vistas como inimigas pela polícia. Não havia dúvida: Paris está em guerra.

O horror voltou à capital francesa, dez meses depois do ataque à redação do Charlie Hebdo que na altura funcionava a dois passos do Bataclan.

“Caminhei sobre corpos, vi mortos na rua e muito sangue”, contou uma testemunha aos jornalistas. Um jovem, sobrevivente da carnificina do Bataclan disse que viu dois terroristas entrar na sala de espetáculos e contou: “começaram a disparar à cega sobre as pessoas com armas automáticas”.