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Há jiadistas portugueses em Paris

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Alguns portugueses juntaram-se ao autoproclamado Estado Islâmico

Tiago Miranda

Grupo de radicais portugueses que luta na Síria saiu sobretudo de Paris e de Londres

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Portugal ocupa um papel residual no mapa do jiadismo. As contas estão longe de ser científicas mas estima-se que haja entre 10 a 15 cidadãos com nacionalidade portuguesa no autodenominado Estado Islâmico.

Um grupo pequeno se comparado com os 1400 franceses ou 700 britânicos. Em todo o caso, muitos destes portugueses ocupam posições de destaque na organização terrorista, tal como o Expresso tem vindo a escrever nos últimos meses.
Quase metade dos jiadistas nacionais saiu dos arredores de Paris, a cidade da Europa ocidental onde mais se tem recrutado para o Daesh. São todos lusodescendentes que se converteram e radicalizaram na capital francesa contra a vontade, e fé, da família.

Mickael dos Santos tornou-se o mais popular, pelo menos nas redes sociais, onde gosta de partilhar imagens a segurar cabeças cortadas. Chegou a ser apontado pelas secretas francesas como fazendo parte de um pelotão de execução que matou duas dezenas de soldados sírios, no final do ano passado. O próprio desmentiu na sua conta do Twitter.

Dos Santos tinha viajado incógnito para a Síria com o amigo Mikael Batista, também filho de pais portugueses. Batista deu aliás a primeira entrevista a um jornal português em setembro de 2014. Nessa conversa com o Expresso, via Messenger, revelou que o que gostava mais de fazer na Síria era de "treinar e matar". Semanas depois morreu, vítima de um ataque aéreo da coligação internacional liderada pelos EUA. A família em França, que mantém os laços com Portugal, já fez o luto.

Na Síria encontra-se outro lusodescendente de nome Dylan. Sabe-se pouco sobre o jovem que até há poucos anos colocava carros de alta cilindrada na sua conta do Facebook. O caso dele tem detalhe sórdido: a mãe, que inicialmente o tentou resgatar, acabou por se juntar ao Estado Islâmico. As autoridades suspeitam do marido, de origem turca e emigrado em França. O resto da história da família é especulação.

Em Paris vivia Fábio Almeida, um radical com família na ilha de São Miguel, Açores, que foi detido há dois meses nos arredores de Toledo, em Espanha. Fábio ia casar-se com uma jovem marroquina que tinha namorado através da Internet. A polícia espanhola fez uma rusga em casa do futuro sogro, onde o português se encontrava para pedir a mão à rapariga que também foi detida. O jiadista está em prisão preventiva, indiciado por atos terroristas mas a futura esposa acabou por ser libertada. Suspeita-se que a rede de Fábio recrutava mulheres para o EI.

De Massamá para Raqqa

Mais influente no seio da organização é o já conhecido grupo de Leyton. São cinco rapazes da Linha de Sintra (começaram por ser seis mas Sandro Monteiro morreu, também em combate, também em Kobane e também vítima da aviação militar ocidental). Emigraram para a zona norte de Londres e acabaram nas malhas de uma poderosa rede Jiadista.

Nero Saraiva era próximo do homem até ontem conhecido como Jihadi John, o britânico abatido ontem por um drone dos EUA. E será um cabecilha no interior do Daesh. Também os irmãos Celso e Edgar Rodrigues da Costa, ex-dançarinos de break dance, são peças influentes do puzzle Jiadista. E ainda há Fábio Poças, espécie de rapaz-propaganda da organização terrorista que gosta de se exibir com todo o tipo de armas no Facebook.

E também Sadjo Ture, um pouco mais velho que o resto do quinteto, que chegou a ser detido em Londres por suspeitas de terrorismo. Acabou por ser libertado e conseguiu iludir as secretas britânicas, juntando-se aos amigos de Massamá e Mem Martins.

Além destes, também foram para a Jihad Steve Duarte, um lusoluxemburguês que havia gravado um disco de hip hop. E também a lusoholandesa Angela Barreto, que se casou e teve uma filha de Fábio Poças em Raqqa.

As famílias dos jiadistas que o Expresso tem contactado mostram-se com pouca esperança em voltar a ver os seus filhos, sobrinhos e netos. "A Jihad levou-os", resumiu há umas semanas um destes progenitores.