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Direita francesa endurece discurso

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Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, numa ação da campanha para as eleições regionais, entretanto suspensa

PASCAL ROSSIGNOL / REUTERS

A maioria dos candidatos às eleições regionais de dezembro suspenderam a sua campanha, na sequência dos atentados de sexta-feira. Mas dentro da Frente Nacional de Marine Le Pen e dos Republicanos, partido de Nicolas Sarkozy, já há quem não se iniba de fazer propostas polémicas

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

“Devemos dar provas de unidade e de sangue frio face ao terror, a França deve manter-se forte”, declarou o Presidente François Hollande na sua comunicação ao país na noite de sexta-feira, algumas horas depois de serem conhecidos os primeiros ataques destes atentados que mataram pelo menos 128 pessoas em Paris.

Num país onde a extrema-direita e o discurso anti-islâmico têm influência crescente, o aviso estava feito. Num primeiro momento, a Frente Nacional (FN) de Marine Le Pen avançou com o anúncio de que suspendia a sua campanha para as eleições regionais, que se realizam a 6 e a 13 de dezembro - uma medida que foi seguida pelo Partido Socialista, de Hollande, e depois pela maioria dos partidos nacionais.

“Uma raiva fria cerra-nos o coração”, escrevia pouco tempo depois a líder da FN no Twitter, acrescentando depois as hashtags “#Terrorismoislamita” e “#tiroteio”, muito embora à altura o atentado não tivesse sido ainda reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) como viria a acontecer nesta manhã de sábado.

Desde aí, muita coisa mudou, sobretudo com o anúncio a meio da manhã de Hollande de que o Daesh estará por detrás dos atentados. Ainda antes disso, às 8h40 da manhã, Laurent Wauquiez, secretário-geral do partido Republicanos (novo nome dado pelo ex-Presidente Nicolas Sarkozy à UMP de centro-direita), fez declarações polémicas à Agência France-Press, propondo que “as 4000 pessoas que vivem em território francês e que estão sob vigilância por [suspeitas de] terrorismo” sejam imediatamente “colocadas em centros de internamento antiterroristas”.

A proposta, como alerta o jornal francês “Libération”, é inconstitucional, por ser proibido prender indivíduos que não tenham sido condenados e foi inclusivamente criticada por um membro do seu partido, Hervé Mariton (que se candidatou à liderança da UMP em 2014 contra Sarkozy): “Não estamos em momento de polémicas”, declarou o também deputado. “Não vou fazer uma proposta como a de Laurent Wauquiez, porque a vigilância não constitui um elemento do Direito atualmente.”

Críticas à "mesquitização" e à "política de 'viver juntos'"

Wauquiez não foi o único a subir o tom do discurso. Philippe de Villiers, líder do partido conservador Movimento pela França, aproveitou também o Twitter para fazer eco das suas posições críticas do Islão: “Grande drama em Paris, vejam aonde nos conduziu a frouxidão e a mesquitização da França”, escreveu.

Dentro da FN, sucedem-se as críticas a Hollande e ao primeiro-ministro Manuel Valls. “Senhor Valls, vê onde está o perigo? É real! Irresponsável!”, escreveu Louis Aliot, vice-presidente do partido.

O partido de extrema-direita também avança com propostas. David Rachline, senador da FN, pediu “a expulsão de todos os estrangeiros condenados por atos de terrorismo”, num texto no site oficial do partido onde critica as “políticas de integração e de ‘viver juntos’ aplicadas durante décadas”.