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Atentados em Paris. O que sabemos e o que falta saber

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DOMINIQUE FAGET/AFP/Getty Images

Os piores atentados em solo europeu dos últimos anos ocorreram na noite de sexta-feira em Paris, França. Enquanto a investigação decorre, tentamos responder às perguntas do momento e fazemos o resumo da situação atual

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

Para compreender melhor o que se passou na noite de sexta-feira e o que continua a desenrolar-se neste sábado, o Expresso procurou fazer um ponto da situação. Para isso, propomo-nos a ir respondendo às perguntas que surgem sobre o que aconteceu nas últimas horas.

Onde e como foram os ataques?

Os ataques ocorreram em seis locais diferentes da cidade, tendo morto 129 pessoas e deixado 352 feridas, segundo os últimos dados disponíveis avançado pelo procurador francês, François Moçins.

Oito dos mortos são terroristas responsáveis pelos atentados - sete suicidaram-se com um cinto de explosivos, um foi abatido pela polícia.

É sabido que houve pelo menos oito pessoas envolvidas nos ataques, mas não é possível perceber para já quais os percursos que tomaram e como se dividiram.

Durante a noite de sábado circulou ainda o rumor de que teria havido disparos no Les Halles, perto do meuseu Louvre, mas essa informação acabou por ser desmentida pelas forças policias.

Os ataques decorreram da seguinte forma:

  • Arredores do Stade de France, por volta das 21H20
    Três explosões em três locais próximos do Stade de France, onde decorria o jogo de futebol entre as seleções francesa e alemã, com poucos minutos de diferença entre si. Há aparentemente quatro vítimas, mas duas delas são os atacantes, que se terão feito explodir.

  • Tiroteio no 11º bairro, pouco depois das 21h20
    Disparos de arma automática sobre os clientes do bar Le Carrilon, na esquina entre as ruas Bichat e Alibert, e depois sobre os clientes do restaurante Petit Cambodge. Morrem 14 pessoas.

  • Fontaine au Roi/Fabourg-du-Temple, 21h45
    Cinco mortos depois de disparos sobre os clientes de uma pizzaria e num McDonald’s.

  • Place de la Nation, 21h45
    Uma explosão próxima do restaurante Comptoir Voltaire. A única vítima a registar parece ter sido o próprio bombista suicida.

  • Charrone/Faidherbe, 21h55
    Mais disparos sobre clientes de um café, o La Belle Equipe, no cruzamento entre as ruas Charrone e Faidherbe. Há 19 vítimas a registar

  • Bataclan, 00h30
    Os atacantes terão entrado mais de duas horas antes, mas é a esta hora que avança a operação policial para libertar os reféns da sala de espetáculos com capacidade para 1500 pessoas. Há 82 vítimas a registar, sendo que os terroristas são quatro delas - três fizeram-se explodir, um foi abatido pela polícia.

Quem são os atacantes?

Até agora é certo que houve pelo menos oito pessoas envolvidas nos atentados, que acabaram todas por morrer, mas as autoridades não afastaram ainda a hipótese de poder haver cúmplices.

Sobre as identidades dos oito atacantes, aquilo que é possível saber até agora é o seguinte:

  • Cidadão francês
    Segundo informações do ministério do Interior, há pelo menos uma “identidade confirmada” dos atacantes, que terá sido detetada através de impressões digitais. Trata-se de um cidadão francês que já estaria sob vigilância do parte da Direção de Segurança do Interior francesa. Este será provavelmente o atacante que foi abatido pela polícia no Bataclan. Os jornalistas franceses avançam que o francês seria da cidade de Courcouronnes.

  • Os passaportes
    Foi encontrado um passaporte sírio perto de um dos suicidas. Segundo informações do vice-ministro grego da Proteção Civil Nikos Toskas, o número desse passaporte foi registado na ilha de Leros no dia três de outubro, quando deu entrada como migrante. Outro passaporte encontrado perto de um dos locais das explosões era egípcio. Mas tal não significa que os passaportes pertençam aos atacantes ou que sejam sequer verdadeiros.

  • A identificação dos corpos
    Os corpos dos suicidas terão de ser identificados pelo Instituto de Medicina Legal francês. A esperança dos investigadores é de que seja possível encontrar vestígios de ADN ou de impressões digitais que coincidam com os de invidíviduos sob vigilância por suspeitas de terrorismo.

  • A pista belga
    Durante a tarde de sábado foi efetuado um raide policial em Molenbeek, na Bélgica, que resultou em pelo menos um detido. Segundo a televisão belga RTBF, a operação está relacionada com os ataques de Paris.

  • A pista da Baviera
    Segundo o ministro-presidente da Baviera, Horst Seehofer, “há uma hipótese fundamentada” de que exista uma ligação entre os atentados e a detenção de um homem na Alemanha, na semana passada, que tinha em sua posse várias armas automáticas e explosivos. No entanto, o ministro do Interior alemão Thomas de Maizière afirmou esta tarde que ainda não era possível estabelecer uma ligação entre os dois eventos.

Qual a nacionalidade das vítimas?

Há pelo menos pessoas de cinco nacionalidades diferentes mortas no atentado, mas várias embaixadas continuam a fazer o seu processo de verificação com as autoridades francesas.

Este é demorado porque muitas das vítimas do Bataclan, por exemplo, tinham a sua identificação no bengaleiro e não consigo.

Tanto responsáveis norte-americanos como britânicos afirmaram que a probabilidade de haver vítimas dos seus países é alta.

Resumindo, para além de cidadãos franceses, entre as vítimas estão também:

  • Dois portugueses
    Manuel Dias, de 63 anos, trabalhava como condutor para uma empresa de turismo. Morreu nos ataques perto do Stade de France. Priscila Correia, lusodescendente de 35 anos, estava no Bataclan quando os atentados tiveram lugar. Informações confirmadas pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

  • Dois belgas
    Informação confirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Bélgica.

  • Dois romenos
    Informação confirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Roménia.

  • Um sueco
    Informação confirmada pelo primeiro-ministro da Suécia.

  • Um espanhol
    Informação confirmada pela vice-presidente do governo de Espanha.

O Estado Islâmico (Daesh) é responsável?

Aparentemente sim.

Para além das reivindicações iniciais por contas associadas aos jiadistas nas redes sociais na noite de sexta-feira, este sábado surgiram informações mais firmes.

No entanto, ainda não é fácil perceber que ligação teriam os atacantes ao grupo:

  • O anúncio do Presidente francês
    François Hollande responsabilizou o grupo no discurso da manhã de sábado: "Foi um ato de guerra, cometido por um exército e a França será impiedosa com Daesh tanto no exterior como interior do país", disse Holande, dizendo ainda que o ataque terá sido preparado e planeado noutro local.

  • O comunicado da organização
    Pouco depois, o grupo lançava um comunicado em francês a reivindicar a autoria do ataque, que justifica pela intervenção francesa na Síria. No entanto, não deu qualquer informação que não fosse já pública e cometeu um erro, ao dizer que os ataques foram nos bairros 10, 11 e 18, quando estes ocorreram apenas nos dois primeiros.

[notícia atualizada às 19h34]

  • O atentado mais mortífero dos últimos 10 anos na Europa

    É preciso recuar ao ataque na estação de Atocha, em Madrid, para encontrar um número de mortes mais elevado num atentado terrorista em solo europeu - 191. Os atentados em Londres, no ano seguinte, mataram 56 pessoas, mas deixaram mais de 700 feridas. Número de vítimas em Paris ainda pode aumentar