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Maioria absoluta para Aung San Suu Kyi

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NYEIN CHAN NAING

Com 348 dos 491 assentos parlamentares conquistados, a Liga Nacional para a Democracia prepara-se para formar governo e apresentar dois dos três candidatos à presidência de Myanmar

Em Myanmar (antiga Birmânia), confirma-se a maioria absoluta para o partido de Aung San Suu Kyi, força que assim se torna a vencedora indiscutível das primeiras eleições livres dos últimos 25 anos no país.

De acordo com a comissão eleitoral, a Liga Nacional para a Democracia (NLD) já conquistou 348 dos 491 assentos parlamentares, ou seja, bastantes mais que os 329 necessários para garantir a maioria absoluta e ultrapassar os 25% dos lugares reservados por lei para o Exército.

Com quase 90% dos votos apurados, o resultado das legislativas deste domingo permite agora que a NLD forme governo e proponha dois dos três candidatos à presidência do país. O terceiro nome será proposto pelos militares, para que o Parlamento escolha depois o novo Presidente.

Apesar da sua popularidade e de ser a líder do partido vencedor, Aung San Suu Kyi não pode integrar a lista de candidatos. A Constituição do país veda essa possibilidade a quem tenha filhos com nacionalidade estrangeira e a herdeira do herói da independência birmana, o general Aung San, tem dois filhos britânicos.

Nada que lhe retire o protagonismo político. Suu Kyi irá assumir a chefia do Governo e, na prática, ficará “acima do Presidente”. “Nós iremos ter um Presidente que trabalhará seguindo as políticas do LND”, afirmou na sua última conferência de imprensa antes das eleições.

Já em 1990 o LND tinha ganho a contagem de votos, e por uma margem confortável, mas Suu Kyiestava sob prisão domiciliária e foi impedida de tomar posse pelos militares. A situação levou a que tivesse sido contemplada nesse ano com o Prémio Sakharov e no seguinte com o Nobel da Paz.

Desta vez é outro o cenário. Sem necessidade de procurar apoios para formar governo e fazer aprovar as leis que entenda, a NLD tem a vida facilitada. Mesmo sabendo-se que alguns ministérios importantes, como o da Defesa, vão continuar sob o controlo do Exército, cuja influência se estende a grande parte da economia de Myanmar.

  • Um quarto de século após ter sido presa na sequência da vitória do seu partido nas urnas, Aung San Suu Kyi volta a conseguir a preferência dos eleitores de Myanmar. A Nobel da Paz enfrenta agora um sem número de desafios - da impossibilidade de assumir a liderança do Executivo aos obstáculos colocados pelos generais que até agora comandavam os destinos do país