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Uma página de Facebook, 19 contas fictícias no Twitter: tudo para difamar uma jornalista

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Quando uma britânica denunciou corrupção em larga escala na Malásia, tornou-se alvo de uma campanha organizada e fraudulenta nos ‘social media’

Luís M. Faria

Jornalista

Uma jornalista britânica, que tem um blogue onde denuncia casos de corrupção e desvios de dinheiro na Malásia, foi alvo de uma campanha de difamação que utilizava 19 contas diferentes no Twitter. As contas eram abertas com identidades falsas e usavam fotos de terceiros obtidas na net, dois dos quais já tinham falecido.

Clare Rewcastle-Brown, uma antiga jornalista da BBC, cunhada do ex-primeiro ministro Gordon Brown, denunciou recentemente que cerca de 700 milhões de dólares (€ 650 milhões) haviam sido transferidos de um fundo estatal para uma conta do primeiro ministro Najib Razak. O Governo negou a acusação, dizendo que se tratava de uma “contribuição” de doadores, os quais não quis nomear. Mas emitiu um mandato de captura contra a jornalista por “atividades prejudiciais à democracia parlamentar” e disseminação de informação falsa.

Rewcastle-Brown vive no Reino Unido, e não é provável que o pedido de extradição seja aceite. Mas os defensores do primeiro-ministro malaio abriram um site no Facebook onde puseram um filme de animação – “bem produzido”, segundo comentadores que o viram, o que parece indicar uma certa disponibilidade de meios – a fazer pouco dela.

É para esse site que remetem as contas fictícias do Twitter. Uma delas, aberta sob o nome de Harry Drakeford (‘autodescrito’ como um bancário que gosta de se divertir), usa a imagem real de Philip Goodeve-Docker, um jovem britânico que morreu no Ártico em 2013. Outra usa o retrato de Samuel Morehead, um veterano norte-americano da II Guerra Mundial que também faleceu em 2013.

A jornalista já abordou as duas empresas envolvidas, exigindo que retirem da net os posts e a página em questão, dada a sua natureza difamatória. Mas só conseguiu obter respostas automáticas a dizer que os publicações em questão não ofendem as regras da empresa. Juristas consultados por vários jornais dizem que nesse género de situação é difícil resolver o problema por vias judiciais.