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Grécia. Confrontos com a polícia em dia de greve geral

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“Cocktails molotov” e pedras foram as armas usadas por uma centena de estudantes mascarados para atingir o edifício do Parlamento helénico. Esta é a primeira greve geral desde que o Syriza chegou ao poder

Lutar na “ mãe de todas as batalhas”. Este foi o apelo feito pela Confederação Geral de Trabalhadores Gregos aquando da convocação da greve geral que decorre esta quinta-feira no país. No entanto, a greve transformou-se num protesto violento em pelo menos uma das concentrações de trabalhadores que estão a acontecer na capital.

O protesto que decorria junto ao edifício do Parlamento helénico, na Praça Syntagma. em Atenas, tomou dimensões violentas quando cerca de 100 jovens mascarados começaram a atirar pedras e “cocktails molotov” contra a estrutura. A polícia grega terá retaliado lançando gás lacrimogéneo através de helicópteros que sobrevoaram a zona do conflito, afugentando os manifestantes que ali se encontravam.

De acordo com a imprensa internacional, estima-se que centenas de milhares de trabalhadores gregos tenham saído às ruas do país para protestar contra as medidas de austeridade a aplicar na Grécia, neste terceiro resgate económico acordado entre o Governo de Tsipras e os credores internacionais.

O jornal norte-americano “The New York Times” prevê que tenham saído às ruas de Atenas 20 mil pessoas, em três protestos diferentes - um deles organizada pelas centrais sindicais, outro convocado pelo Partido Comunista e o terceiro associada a um movimento estudantil.

A greve foi convocada pelas centrais sindicais ADEDY e GSEE, que representam os trabalhadores do sector público e privado, e apoiada pelos sindicalistas do próprio Syriza, que pertencem ao Departamento de Políticas Laborais do partido e se pronunciaram contra as “políticas antipopulares” que estão a ser tomadas. De acordo com os sindicalistas, a mobilização dos trabalhadores é determinante no atual processo das negociações com os credores internacionais.

Nos hospitais do país helénico estão garantidos os serviços mínimos; já as escolas, bancos, farmácias, museus e transportes públicos encontram-se paralisados, um pouco por todo o território grego. Até a comunicação social aderiu à greve, com exceção da cobertura do próprio protesto.

Greve marca descontentamento com o terceiro resgate da Grécia

Este verão, o Executivo grego chegou mesmo a referendar as medidas de austeridade propostas pelos credores, numa votação em que o “não” a essas medidas foi claro, conquistando 61,30% dos votantes.

A paralisação marca a primeira greve na era do Governo do Syriza, que detém o poder desde janeiro deste ano, tendo sido reeleito nas eleições antecipadas de setembro. O sufrágio extraordinário ficou decidido após a demissão de Tsipras, que na altura declarou “não acreditar” no acordo que assinou com os credores internacionais, e tendo em vista o reforço da legitimidade do Executivo.

O acordo entre Tsipras e os credores gerou divisões internas no próprio Syriza. No entanto, a formação que resultou da separação da ala mais radical do partido não conseguiu eleger nenhuma representação parlamentar nas eleições de setembro.