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Doping. Putin diz que sanções não devem ser generalizadas

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ALEXEI DRUGININ/RIA NOVOSTI/KREMLIN POOL

O Presidente russo pediu "atenção máxima" aos responsáveis russos e anunciou que Moscovo irá conduzir a sua própria investigação do caso. Todos os atletas russos podem vir a ser impedidos de participar na próxima edição dos Jogos Olímpicos

Helena Bento

Jornalista

Numa reunião esta quarta-feira com responsáveis russos, Vladimir Putin reconheceu o problema de doping na Rússia e defendeu que as eventuais sanções devem ser aplicadas individualmente e não a todos os atletas e treinadores russos. "Se chegarmos à conclusão de que alguém deve responder por ter violado as leis antidopagem, essa responsabilização deve ser feita de forma individual", disse o líder russo, citado pelo "Guardian".

No relatório elaborado e tornado público por uma comissão independente da Associação Mundial Antidopagem (AMA) sobre os casos de doping no atletismo russo (denunciados por uma estação televisiva alemã em dezembro de 2014), é sugerida a suspensão temporária de todos os atletas russos, o afastamento definitivo de cinco atletas (entre os quais Maria Savanova e Ekaterina Poistogova, que foram medalha de ouro e prata, respetivamente, nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres) e de outros treinadores, colocando assim em causa a participação da Rússia nos próximos Jogos Olímpicos.

Também o presidente do Comité Olímpico russo, Alexander Zhukov, defendeu que "os atletas honestos não devem ser punidos pelas ações dos maus atletas". "Ninguém tem o direito de impedi-los de participar nos Jogos Olímpicos", disse o presidente, também citado pelo diário britânico. Seja como for, o ministro do Desporto, Vitaly Mutko, veio já dizer que a Rússia não vai boicotar os Jogos Olímpicos, mesmo que o país seja banido da competição.

Na mesma reunião de quarta-feira, realizada em Sochi (onde decorreram os Jogos Olímpicos de Inverno, em 2014), estiveram também presentes o ministro do Desporto, e Mikhail Butov, secretário-geral da Federação Russa de Atletismo. Putin, que falava pela primeira vez sobre o escândalo, pediu aos responsáveis presentes para prestarem a máxima atenção a este caso e anunciou que a Rússia vai conduzir a sua própria investigação do caso e, ao mesmo tempo, cooperar com as estruturas internacionais antidopagem. “Devemos fazer tudo para nos livrarmos deste problema", disse Vladimir Putin.

Os autores do relatório de 325 páginas descrevem um esquema antigo no atletismo russo de violações sistemáticas aos controlos "antidoping", apoiado pelo próprio Governo de Moscovo, e apontam irregularidades nos laboratórios russos, destruição de amostras e um clima de intimidação generalizado. O documento, coordenado pelo presidente da AMA Dick Pound, fala numa "cultura profundamente enraizada de fraude" e refere que os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, em que a Rússia conquistou 17 medalhas, oito das quais de ouro, "foram, de certa forma, sabotados pela admissão de atletas que não deviam estar a competir".

É ainda referido que o diretor do principal laboratório "anti-doping" de Moscovo, Grigori Rodtchenkov, que entretanto se demitiu, destruiu numa ocasião mais de mil amostras, impedindo assim uma contra-análise por parte dos organismos internacionais. O clima de intimidação decorreria, diz o relatório, da presença de elementos da polícia secreta russa nos laboratórios antidopagem de Moscovo.

A Rússia tem até sexta-feira para responder às acusações. O conselho directivo da Federação Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), liderado por Sebastian Coe, britânico, reúne-se também nesse dia para discutir uma eventual suspensão dos atletas russos da próxima edição dos Jogos Olímpicos.