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Vantagem de Aung San Suu Kyi é cada vez maior

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LYNN BO BO/EPA

A ​líder da Liga Nacional para a Democracia enviou uma carta ao porta-voz do Parlamento e ao comandante das Forças Armadas de Myanmar solicitando uma reunião na próxima semana

Confirma-se a vontade de mudança em Myanmar. Quando estão definidos cerca de 40% dos assentos parlamentares, a vantagem de Aung San Suu Kyi, ​líder da Liga Nacional para a Democracia (LND), revela-se cada vez maior nas eleições do passado domingo. Nesta altura, a vencedora do Prémio Nobel da Paz, em 1991, conta com 90% dos votos dos eleitores, conseguindo 163 lugares do Parlamento.

Mas a contagem final dos votos deverá demorar ainda duas semanas, segundo a comissão eleitoral de Myanmar (antiga Birmânia). Entretanto, o porta-voz presidencial já enviou felicitações à vencedora.

“Assim que nos afastamos dos resultados iniciais verificamos uma maioria do partido LND no próximo Parlamento. O Presidente U Thein Sein quer congratular Aung San Suu Kyi pelo seu sucesso na eleição e desejar que possa cumprir o desejo do povo de Myanmar para uma grande mudança no futuro”, afirmou Ye Htut, citado pela CNN.

Impossibilitada pela Constituição de liderar o Executivo de Myanmar — por ter familiares estrangeiros (o marido, já falecido, e os dois filhos são britânicos) —, Aung San Suu Kyi deseja que seja possível alterar a legislação nacional. Depois de ter vencido as eleições em 1990, e os resultados terem sido anulados, ela acabou por ficar em prisão domiciliária durante quase duas décadas.

Na terça-feira, Aung San Suu Kyi enviou uma carta ao porta-voz do Parlamento e ao comandante das Forças Armadas solicitando uma reunião, na próxima semana, para discutir “a aplicação pacífica do desejo do povo de Myanmar, expresso através das eleições de 8 de novembro”.

Eleições marcadas por algumas irregularidades

Em entrevista à BBC, Aung San Suu Kyi afirma que as eleições do passado domingo foram as “mais democráticas dos últimos 25 anos”, sublinhando contudo que também foram marcadas por algumas irregularidades com algumas “áreas de intimidação”.

A líder da Liga Nacional para a Democracia manifestou ainda assim esperança de que possa, desta vez, comandar os destinos do país.“Os tempos mudaram, as pessoas mudaram”, alegou.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, considerou que as eleições do passado domingo em Myanmar foram um “importante passo em frente” para a estabilidade do país, alertando porém para o cenário pós-eleitoral.

“Um período pós-eleitoral pacífico é crucial para a estabilidade e a manutenção da confiança do povo e da credibilidade do processo eleitoral e da transição política”, disse Kerry.

O partido do Presidente de Myanmar, Thein Sein, já garantiu que irá respeitar o resultado, no entanto, continuam a existir barreiras. A Constituição que rege o sistema político do país foi criada de forma a favorecer o poder militar, que conta com cerca de um quarto dos lugares nas duas câmaras.