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Era uma vez um taxista que deu 158 milhões por um Modigliani

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Liu Yiqian e a mulher, Wang Wei

PHILIPPE LOPEZ/ GETTY IMAGES

Abandonou a escola ainda adolescente, para se fazer à vida e “ganhar dinheiro”. Saiu-se bem. Depois de abandonar o taxi e começar a investir na Bolsa, voltou a ser notícia por ter adquirido a obra “Nu Reclinado”, a segunda mais cara de sempre adquirida em leilão

Liu Yiqian, 52 anos, subiu na vida a pulso. Até chegar ao lugar 239 entre os homens mais ricos da China - posto onde a revista “Forbes” o coloca atualmente, considerando a sua fortuna - e ser notícia pela compra multimilionária do “Nu Reclinado”, de Modigliani, acumulou atividades para ganhar dinheiro, manifestando especial habilidade e engenho para a tarefa.

Reza a história que, com 14 anos apenas, despediu-se dos colegas e do ensino secundário com convicção: “Vocês continuem na escola, que eu vou dedicar-me a fazer dinheiro”.

Se o disse ou não é difícil confirmar, mas na prática foi isso que aconteceu. Nascido em 1963, Liu não tinha motivos para estar tão confiante. Oriundo de uma família pobre, cedo começou a ajudar os seus pais na venda ambulante de bolsas manufacturadas e foram de trabalho árduo os anos que se seguiram à despedida escolar.

Nunca lhe faltou determinação. O primeiro objetivo passou por juntar dinheiro para obter a licença necessária para se tornar taxista profissional, o que aconteceu aos 20 anos. Mais tarde, aos 26, começou a investir na Bolsa.

“Julgo que tenho um faro excecional para o mercado”, confidenciou à “Bloomberg” no início do ano. Talento que acabou por determinar o seu sucesso em áreas como os seguros e os setores farmacêutico e imobiliário.

O gosto por investir em arte é uma característica que partilha com outros magnatas, mas que no seu caso se transformou em algo mais. Uma verdadeira paixão.

Como colecionador, adquiriu já 2.500 peças, algumas das quais verdadeiras raridades cujas aquisições foram sendo noticiadas, dado o seu excecional valor. Entre elas estão um tapete imperial do Tibete, peça com 600 anos que lhe custou 45 milhões de dólares (cerca de 42 milhões de euros), e uma pequena chávena de porcelana, parte de um serviço da dinastia Ming.

O sonho de Liu Yiqian é criar na China o equivalente ao Guggenheim, o museu fundado em Nova Iorque, que é referência mundial. Para já, as obras que tem adquirido estão expostas nos dois espaços que inaugurou com a mulher, Wang Wei: o Long Museum Pudong e o mais recente Long Museum West Bund. O Modigliani adquirido por 158 milhões de euros tem lugar reservado num deles.