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Morreu Helmut Schmidt um dos maiores estadistas do século XX

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FABIAN BIMMER / Reuters

Ex-líder dos social-democratas alemães e chanceler da Alemanha entre 1974 e 1982 morre aos 96 anos. Schmidt foi um pioneiro da cooperação económica internacional repetidamente eleito o político mais popular da Alemanha do pós-guerra

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O ex-chanceler alemão morreu esta terça-feira às 14h30 em Hamburgo, de acordo com declarações do seu médico, Heiner Greten.

Ontem os media alemães adiatavam o agravamento do estado de saúde deste ex-chanceler alemão natural de Hamburgo, que era considerado um dos grandes políticos todos os tempos e o mais unanimemente respeitado no país. Uma nota biográfica indispensável e anacronicamente bem humorada classificava-o como mais proeminente fumador compulsivo, o único a ser autorizado a fumar em toda a parte na Alemanha.

Schmidt sucedeu a Willy Brandt como chanceler da Alemanha, que liderou de 1974 a 1982. Entre 1967 e 1969, liderou a fação social democrata da grande coligação que então - como agora - governou o país. Antes de se tornar chanceler, Schmidt foi ministro da Defesa e ministro das Finanças.

Conhecido por não deixar de dizer o que pensava, numa entrevista em plena crise financeira europeia não poupou as palavras ao opinar sobre a liderança da chanceler Angela Merkel. "Teria de levar bom tempo para conseguir dar uma resposta diplomática", declarou na altura. Quando lhe perguntaram a sua opinião sobre o então mnistro dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, líder do FDP, a sua resposta foi igualmente cáustica: "Não está à espera que responda", lembra a Deutsche Welle.

Apesar de nunca ter poupado críticas aos desenvolvimentos da União Europeia, à exequibilidade da Alemanha multicultural ou à missão do exército alemão no Afeganistão, Schmidt nunca perdeu o respeito do público alemão.

Nascido em Hamburgo em 1918, Helmut Schmidt mostrou pulso firme na contenção da RAF - Rote Armee Fraktion - o grupo terrorista mais conhecido por Baader-Meinhof, fundado em 1970 e cuja atividade violenta atinge o auge em 1977, no que ficou conhecido pelo Outono Alemão. O RAF foi considerado responsável por 34 mortes violentas.

Schmidt foi muito criticado pela ala esquerda do seu partido, o SPD, por ter aceite a base norte-americana de mísseis de cruzeiro Pershing em território alemão durante a Guerra Fria.

Em virtude dos seus profundos conhecimentos sobre economia mundial foi designado como "Economista mundial", escreve a agência noticiosa alemã DPA, lembrando a fama do seu "faro" para interpretar os seus opositores políticos. Esta fama remonta ao início da sua carreira no Bundestag em que era o perito militar do SPD.

Desde 1983 que Schmidt foi co-editor do semanário "Die Zeit". Escreveu numerosos livros e manteve grande atividade como palestrante, viajando com frequência. Até perto da sua morte, a opinião de Schmidt foi sempre solicitada e apreciada entre os meios políticos alemães.

Helmut Schmidt vivia em Hamburgo com a sua mulher Hannelore (Loki). Viveram 68 anos juntos até à morte desta, em 2010. Dois anos mais tarde, foi anunciado que Schmidt tinha uma nova relação.