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Paris. Marine estraga Conferência do Clima de Hollande

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SEBASTIEN BOZON/AFP/GETTY

O mundo inteiro estará com os olhos postos em Paris para seguir a COP21 quando, no início de dezembro, o partido nacionalista de Marine le Pen alcançar uma nova vitória histórica nas eleições regionais

O Presidente francês François Hollande aposta no êxito da Conferência Mundial sobre o Clima, COP21, que decorre na região parisiense de 30 de novembro a 11 de dezembro, para marcar pontos e recuperar o prestigio e os apoios internos perdidos desde a sua chegada ao poder, em 2012.

Na COP21 participarão 80 chefes de Estado e delegações de 196 países, bem como de centenas de organizações não-governamentais. Hollande encara este conclave da ONU, que reunirá 35 mil pessoas, entre elas cinco mil jornalistas do mundo inteiro, como um dos momentos mais importantes e decisivos do seu mandato de cinco anos.

Se conseguir fazer aprovar em Paris medidas para a redução em dois graus centígrados da subida das temperaturas ao nível global, o socialista alcançará uma vitória inegável que poderá ajudá-lo a relançar a sua recandidatura ao Eliseu, em 2017.

Porém, devido à sua má imagem junto dos seus compatriotas – o chefe do Estado francês conta com menos de 20% de opiniões favoráveis, segundo diversas sondagens – a sua recandidatura presidencial é contestada mesmo nas fileiras do PS e na da globalidade da esquerda francesa, ecologistas incluídos.

Um forte sector da esquerda francesa afasta-se de François Hollande e vive momentos de ansiedade porque aguarda uma nova derrota estrondosa do PS e dos seus aliados nas eleições regionais de 6 e 13 de dezembro (escrutínio que decorre sob as regras do sistema eleitoral maioritário a duas voltas).

À espera de “uma catástrofe”

O ex-candidato às presidenciais, Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, garantiu recentemente numa entrevista ao Expresso que “nunca mais” apelará ao voto em Hollande.

Mélenchon foi decisivo para a curta vitória do atual Presidente sobre Nicolas Sarkozy (candidato da direita) em 2012 – aquele dissidente socialista, fundador do Partido de Esquerda, alcançou 11% dos votos na primeira volta das presidenciais de 2012 e apoiou Hollande na segunda volta.

Depois das próximas regionais, o debate sobre as presidenciais será relançado e fontes da ala esquerda do PS, que conta com quatro dezenas de deputados no parlamento, garantem ao Expresso que, depois do previsível fracasso nas regionais, vai ser pedida a organização de primárias para a designação do candidato socialista ao Eliseu.

“Por não termos cumprido as promessas eleitorais, vamos sofrer uma pesada derrota nas regionais que vai ser complicada de digerir pelo partido”, diz ao Expresso o deputado socialista Pascal Cherki.

Tanto Cherki como Mélenchon, como aliás também François Hollande e Manuel Valls, manifestam grande apreensão com a situação política em França, onde praticamente todas as sondagens dão a líder nacionalista Marine le Pen com presença garantida na segunda volta da corrida para o Eliseu, em 2017.

“É praticamente certo que ela estará na segunda volta das presidenciais e é provável que a extrema-direita conquiste já em dezembro a presidência de duas ou três das 13 regiões francesas. Será uma catástrofe”, afiança Pascal Cherki.

Com efeito, todas as recentes sondagens dão a Frente Nacional (FN), de Marine le Pen, em forte alta para as regionais, onde pode obter surpreendentes resultados e vitórias históricas designadamente no leste, no sul e no norte de França. Zonas inteiras e importantes do país como Marselha, Nice, Estrasburgo, Metz, Lille ou Calais poderão vir a ser controladas pela FN.

“Le Pen pode ganhar presidencias”

As regionais caiem num muito mau momento para François Hollande porque decorrem precisamente durante a COP21 e podem ofuscá-la quase completamente.

Com efeito, um novo fracasso do PS nestas eleições e a anunciada forte subida da FN poderá colocar em grandes dificuldades François Hollande. Só um êxito claro da COP21 – que ainda não está garantido – poderá confortá-lo um pouco.

Diversas sondagens colocam a FN à frente na primeira volta em boa parte das regiões, no primeiro domingo de dezembro e, mais espantoso ainda, igualmente à frente nas intenções de voto para a primeira volta das presidenciais de 2017.

Alguns socialistas, como Malek Boutih, dramatizam ao máximo o discurso e veem despontar no horizonte “uma crise política de grande envergadura”. “No atual estado das coisas, acho infelizmente que Marine le Pen pode ganhar as presidenciais francesas”, diz este deputado do PS.