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Birmânia. Aung San Suu Kyi arrasa generais nas urnas

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LYNN BO BO / EPA

Partido da Nobel da Paz deverá conquistar mais de 70% dos lugares do Parlamento, mas os militares continuarão a dominar o aparelho de Estado

A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, pediu esta segunda-feira a todos aqueles que votaram na Liga Nacional para a Democracia (LND), o partido liderado pela Nobel da Paz de 1991, que não comemorem antecipadamente a mais do que previsível vitória história nas legislativas de 8 de novembro.

Segundo o porta-voz da LND, Win Htein, o maior partido da oposição na Birmânia – país também conhecido como Myanmar – lidera o sufrágio com “mais de 70% dos assentos”. No entanto, confirmados pela comissão eleitoral até ao meio-dia desta segunda-feira, estavam apenas 12 dos 45 lugares do círculo eleitoral de Rangum, capital do país. O Partido para o Desenvolvimento e Progresso da União (USDP, na sigla em inglês), dos membros da junta militar que controlou este país do sudeste asiático durante 50 anos, já veio a público reconhecer a derrota. “Perdemos”, disse à Reuters o presidente do USDP, Htay Oo.

Constituição reserva ministérios às forças armadas

Apesar de, ao que tudo indica, Aung San Suu Kyi, de 71 anos, ser a grande vencedora das primeiras eleições livres e democráticas realizadas nos últimos 25 anos na Birmânia, a Constituição aprovada pelos militares em 2008, garante-lhes 25% dos lugares nas duas câmaras do Parlamento e impede a Nobel da Paz de chegar à chefia do Estado, por ter sido casada com um estrangeiro (o marido de San Suu Kyi era britânico e os seus dois filhos têm a nacionalidade do pai).

Resta saber como é que Aung San Suu Kyi, que uma junta militar manteve sob detenção durante mais de 15 anos, irá partilhará poder com os militares que dominam e continuarão a dominar muitos lugares na estrutura do Estado. Algumas pastas ministeriais mais relevantes, como a do Interior, Defesa e Fronteiras estão reservadas para militares e a Constituição permite-lhes, em certas circunstâncias, sobreporem-se ao Governo.

Cerca de 35 milhões de eleitores foram chamados às urnas no domingo para eleger os deputados do parlamento regional e nacional, que tomam posse em janeiro de 2016. Passados um a dois meses, a assembleia legislativa vai eleger o chefe de Estado para um mandato de cinco anos. Mais de 6000 candidatos de mais de 90 partidos participaram nas eleições, as quais contaram com mais de 10 mil observadores locais e estrangeiros.