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Alemanha espiou países amigos e o Vaticano

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Instalações dos serviços secretos, em Bad Aibling, sul da Alemanha

CHRISTOF STACHE/AFP/GETTYIMAGES

O semanário alemão “Der Spiegel” revelou que os serviços secretos alemães espiaram ONG e representações diplomáticas, incluindo a portuguesa, sem que isso lhes tenha sido solicitado pela agência norte-americana NSA

Há três semanas foi divulgado que os serviços secretos alemães, conhecidos por Bundesnachrichtendienst (BND), espiaram sistematicamente aliados em todo o mundo a pedido da agência norte-americana NSA.

Este sábado, o semanário alemão "Der Spiegel" revelou que afinal, a BND atuou por conta própria na maior parte dos casos e não a pedido da NSA.

Fontes disseram à "Spiegel" que a BND espiou o Departamento da Administração Interna dos EUA, bem como os Ministérios da Administração Interna de Estados-membros da UE, entre os quais Polónia, Áustria, Dinamarca e Croácia.

A BND terá ainda espiado plataformas de comunicação usadas por representações diplomáticas em Bruxelas e das Nações Unidas, em Nova Iorque. Esta lista inclui igualmente a linha direta para informações sobre viagens do Departamento do Estado norte-americano.

Várias embaixadas e consulados estrangeiros na Alemanha foram também espiados, entre os quais a representação diplomática portuguesa. EUA, França, Reino Unido, Suécia, Grécia, Espanha, Itália, Áustria, Suíça e o Vaticano também não foram poupados.

Algumas ONG foram também alvo das escutas da agência alemã, entre elas a Care International, a Oxfam e o Comité Internacional da Cruz Vermelha, em Genebra.

A BND tem estado debaixo de fogo desde que notícias divulgadas no início deste ano a envolveram em atos de espionagem a instituições e empresas europeias, a mando da NSA.

“Der Spiegel” termina o artigo com um recordatório das afirmações da chanceler alemã, Angela Merkel, em outubro de 2013, quando descobriu que o seu telefone pessoal estava sob escuta. “Espionagem entre amigos? Isso não se faz.” Aparentemente, a premissa não se aplica à BND, conclui a revista.