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Polícias venezuelanos estão a ser mortos para lhes roubarem as armas

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GEORGE CASTELLANOS/ Getty Images

A transformação daqueles que lutam contra o crime em vítimas do mesmo não surpreende, num país que se tornou dos mais violentos em todo o mundo

Luís M. Faria

Jornalista

O número impressiona: 252 polícias foram mortos na Venezuela desde o princípio do ano. Já de si assombroso, o número torna-se ainda mais negro quando se sabe que a maioria deles faleceram não no desempenho das suas funções, mas deliberadamente atacados por gente com intenção de lhes roubar as armas e as motocicletas.

O relato vem no “The Guardian” desta quarta-feira, 4 de novembro, e por vezes custa a acreditar. No país de Nicolás Maduro, 24 mil pessoas foram assassinadas em 2013. Em 2012, Chavez ilegalizou a posse de armas, e o ano passado foi lançado um plano nacional de desarmamento. Mas tudo isso apenas levou a que os gangues ficassem ainda mais gananciosos pela sua posse e façam tudo para a conseguir, nem que isso implique matar alguém, se necessário um agente da autoridade.

Assim, um crime que em tempos era raro e geralmente significava o fim da carreira do criminoso - não havia futuro em matar polícias, como é normal na maioria dos países - passou a ser relativamente comum. Um caso recente foi o de Pulvio Lisandro Toledo, um agente que ia na sua mota a caminho de casa, quando foi emboscado por um grupo de homens que obviamente lhe conheciam a rotina. Atingido a tiro, caiu no chão. Quando os atacantes viram que não trazia consigo a arma obrigatória, dispararam mais algumas vezes sobre ele.

Falecido a 1 de setembro, Lisandro Toledo tinha 43 anos e duas crianças pequenas. Meia dúzia de jovens foram entretanto presos como suspeitos do crime. Andam todos pela casa dos 20 anos e pertencem ao bando de “El Topo”. “El Topo” propriamente dito, um tal Héctor José Díaz García, continua à solta. E para o agente morto, que tinha categoria de supervisor agregado e estava na polícia há 18 anos, é demasiado tarde.