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Pirâmides do Egito foram construídas para armazenar cereais, diz candidato presidencial que está a ultrapassar Trump

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Carson desafia Trump nas sondagens, mas no que toca a declarações polémicas também dá cartas

RICK WILKING

Ben Carson, um neurocirurgião que ganhou fama por uma separação pioneira de gémeos siameses, é menos científico fora da sua área de especialidade

Luís M. Faria

Jornalista

Donald Trump já tem concorrência. O bombástico milionário, cuja campanha para a nomeação republicana às presidenciais nirte-americanas de 2016 vem sendo alimentada por declarações mais ou menos escandalosas – sobre emigrantes, mulheres e não só – foi ultrapassado numa sondagem nacional por um rival que também parece ser concorrente no dislate.

Ben Carson, um neurocirurgião reformado de considerável prestígio na sua área (realizou uma operação pioneira que separou gémeos siameses), não hesita em dar opiniões sobre outros assuntos. E aí, guia-se pela Bíblia. Membro dedicado da Igreja Adventista do Sétimo Dia, acredita, por exemplo, que as pirâmides do Egito foram construídas não como túmulos para os faraós, mas para nelas se armazenar cereais.

Que provas apresenta Carson? Nenhuma, exceto a história bíblica de José, filho de Jacob e Raquel, que foi vendido como escravo pelos seus irmãos e acabou por se tornar vizir no Egito. José interpretou um sonho do faraó e concluiu que o Egito devia armazenar provisões durante os anos de abundância, a fim de estar prevenido quando viessem os tempos de fome. Assim aconteceu, confirmando os dons proféticos do vizir (a quem entretanto surgiu a oportunidade de se vingar dos irmãos. No que ele também mostrou sabedoria).

Mais um tweet ofensivo de Trump

“A minha teoria pessoal é que José construiu as pirâmides para armazenar grão”, disse há anos Carson num discurso a estudantes. “Todos os arqueólogos pensam que (as pirâmides) foram feitas para sepultar os faraós. Mas sabem, teria de ser algo muito grande para armazenar tanto grão, e não ia simplesmente desaparecer”. O vídeo surgiu agora, e esta quarta-feira Carson confirmou expressamente que mantém a mesma opinião.

No referido discurso, ele tinha explicado que “se olharmos para o modo como as pirâmides estão construídas, elas têm de ser dessa forma por várias razões. E alguns cientistas disseram: ‘bem, houve extraterrestres que vieram e tinham um conhecimento especial’. Sabem, não é preciso um extraterrestre quando Deus está connosco”.

Além da sua opinião sobre as pirâmides, Carson é criacionista e defende uma política fiscal baseada no dízimo. Trump, pelo contrário, acha que os ricos, em especial aqueles que vivem de rendimentos de capital, devem pagar mais impostos. Este é um dos aspetos que faz com que alguns bilionários conhecidos, que normalmente apoiam candidatos republicanos, tenham considerado que Trump não é suficientemente republicano.

Agora, ele voltou a ter de apagar um tweet ofensivo na sua conta pessoal. “ADIOS, JEB aka JOSE” (adeus, Jeb, também conhecido por José), dizia uma mensagem de um terceiro retweetada por Trump. A frase é uma alusão à alegada posição pró-mexicana do candidato Jeb Bush, mas Trump esqueceu-se de reparar que vinha acompanhada por uma foto de Bush com um sombrero e junto a um cato. E outra com uma suástica ao lado...