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Presidentes da China e de Taiwan encontram-se 66 anos depois

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Este será o primeiro encontro entre os dois líderes desde o fim da guerra civil chinesa

PICHI CHUANG

A guerra civil, terminada em 1949, determinou o afastamento entre a cidade-Estado de Taiwan e a então proclamada República Popular da China. Nos últimos tempos as relações têm melhorado, mas as eleições em Taiwan no próximo ano podem mudar tudo

Este sábado vai fazer-se História em Singapura: os Presidentes da China, Xi Jinping, e de Taiwan, Ma Ying-jiu, vão encontrar-se na cidade-Estado, naquele que é o primeiro encontro entre líderes dos dois países desde o fim da guerra civil, de acordo com informações reveladas pelo gabinete do líder de Taiwan. As relações bilaterais têm melhorado desde que Ma Ying-Jiu ascendeu ao poder em Taiwan, em 2008.

No comunicado publicado esta quarta-feira, o gabinete do Presidente taiwanês explica que o encontro foi marcado para “consolidar a paz entre as duas partes e manter o status quo”. Da reunião não sairá qualquer tipo de acordo ou, até, comunicado conjunto.

O presidente do Gabinete de Assuntos de Taiwan na China, Zhang Zhijun, também já confirmou o encontro, esclarecendo que os dois governantes “trocarão opiniões sobre como promover o desenvolvimento das relações no estreito de Taiwan. O representante aproveitou para recordar que o “acordo pragmático” segue o princípio da “China una”, numa disputa que ainda continua “por resolver”. Pequim continua a recusar-se a reconhecer Taiwan como um país independente.

China e Taiwan separaram-se depois de a guerra civil entre nacionalistas e comunistas no continente chinês ter terminado, em 1949, com a vitória do Partido Comunista e a proclamação da República Popular da China. Os nacionalistas, representados pelo Partido Nacionalista chinês, acabaram por se refugiar na ilha de Taiwan, situada a cerca de 200 quilómetros da costa leste chinesa. O Partido Nacionalista continua a identificar-se como representante da República da China.

O objetivo do Executivo chinês é a “reunificação pacífica” com Taiwan, usando a fórmula “um país, dois sistemas”, aplicada já em Hong Kong e Macau. As relações entre Pequim e Taiwan têm melhorado desde a ascensão do nacionalista Ma Ying-jiu, que se encontra no final do seu segundo mandato. No entanto, no dia 16 de janeiro há eleições na ilha e as sondagens apontam para uma reversão do processo, com a possível vitória do Partido Democrático Progressista, de Tsai Ing-wen, pró-independentista.

Apesar de desejar que a reunificação se concretize de forma pacífica, o Governo chinês tem deixado claro que se a ilha proclamar a independência, Pequim recorrerá ao uso da força.