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Espanha. Mais dois detidos por suspeita de ligação ao Estado Islâmico

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Detenções de suspeitos ligados a redes terroristas nos arredores de Barcelona. 4 de novembro de 2015

TONI ALBIR / EPA

Estas detenções acontecem um dia depois de a polícia espanhola ter apanhado em Madrid outros três suspeitos de ligações ao grupo terrorista

A Guarda Civil espanhola deteve esta quarta-feira duas pessoas em Cornellá de Llobregat, Barcelona, que acredita estarem ligadas ao recrutamento, através de redes sociais, para o autodenominado Estado Islâmico (Daesh).

Os detidos, ambos de origem marroquina, apesar de um ter nacionalidade espanhola, mantinham contactos, através das redes sociais, com pessoas em zonas de conflito, a quem ofereciam apoio e encorajavam a continuar com as suas atividades, segundo um comunicado do Ministério do Interior.

Estas detenções acontecem um dia depois de a polícia espanhola ter detido em Madrid outros três suspeitos de ligações ao grupo terrorista.

De acordo com um comunicado do Ministério do Interior espanhol divulgado esta terça-feira, os três homens constituíam "um grupo vinculado à organização terrorista Daesh". Fontes da investigação citadas pelo próprio ministério indicaram que "os detidos estavam dispostos a levar a cabo, a qualquer momento, atos terroristas como os que aconteceram recentemente em outros países" próximos de Espanha.

O ministério não precisou quais os atentados e países, mas França e Tunísia foram palco no último ano de atentados realizados por terroristas isolados de uma estrutura formal do Daesh (denominados "lobos solitários") contra transportes públicos ou museus.

O jornal "El País" acrescenta que os três detidos em Madrid, através de conversações telefónicas ou por internet, falavam da necessidade de "atuar já em Espanha", ainda que sem referirem pormenores das supostas operações.

O ministro do Interior espanhol, Jorge Fernández Díaz, afirmou que se trata de pessoas muito diferentes de outros recentes detidos por captação de apoiantes para se unirem aos jiadistas, já que estes "estavam prontos a cometer atentados" e tinham "acesso a armas".

As casas dos três suspeitos foram revistadas pelas autoridades. Dois deles foram detidos na Cañada Real Galiana, uma zona conhecida como "o supermercado da droga" na localidade madrilena de Rivas-Vaciamadrid, e o terceiro em Vallecas.

O Ministério do Interior acrescentou, entretanto, que este grupo de marroquinos estava "perfeitamente organizado e hierarquizado". O líder da célula terrorista tinha como funções a captação de pessoas para as fileiras do Daesh, através da difusão de mensagens radicais e ordens da cúpula do grupo, controlava os jovens ou as jovens captadas e dava treinos ou formação sobre métodos terroristas.

Os outros dois elementos do grupo, também detidos, eram os operacionais da célula, pelo que seriam estes os encarregados de executar eventuais atentados.

No momento da desarticulação da célula, "os seus membros estavam completamente radicalizados (convertidos ao radicalismo islâmico) e numa fase de total assimilação da ideologia terrorista", manifestando a sua disposição para cometer um atentado na cidade de Madrid, especifica a nota do Ministério do Interior espanhol.

Durante a operação não foram ainda encontradas armas, mas o Ministério diz que estes homens tinham acesso a um mercado ilícito de todo o tipo de armamento.

Espanha é o país europeu que fez mais operações contra membros do Daesh. Com a operação desta quarta-feira, ascendem a 62 os detidos no país por suspeita de ligações ao terrorismo islâmico, a que se juntam outras 27 pessoas apanhadas noutros países, especialmente Marrocos.

Em quatro anos foram detidos 171 pessoas por jiadismo.

O Governo espanhol mantém o alerta antiterrorista no nível alto (quarto escalão em cinco).