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Internacional

Acidente com avião russo. “Muito cedo” para determinar causas

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Flores e velas, numa homenagem da companhia aérea aos tripulantes que perderam a vida no acidente

YURI KOCHETKOV/EPA

Vários investigadores e especialistas em aviação criticam a companhia aérea do A321-200 por falar em “causa externa” para explicar o acidente que vitimou este sábado mais de 200 pessoas. Os dados disponíveis não permitem ainda explicar o que aconteceu, justificam

Se alguma certeza existe em relação ao Airbus russo que este sábado se despenhou na região do Sinai, Egito, e apesar das diferentes declarações que têm sido feitas nos últimos dias, essa certeza é a de que é demasiado cedo para se avançarem causas.

Cautelosos em relação às afirmações da empresa proprietária do avião, que afasta a possibilidade de falha técnica ou erro humano, e dando pouca credibilidade à culpa assumida pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh), que reclamou a queda do aparelho como ato terrorista, os especialistas russos dizem ser necessário esperar pelo desenvolvimento da investigação e pela leitura completa das caixas negras do avião. A possibilidade de avaria ou problema técnico é a que está a ser levada mais a sério.

O Presidente do Egito, Abdul Fattah al-Sisi, acusa mesmo o Daesh de fazer “propaganda”. “É uma forma de atacar a estabilidade e segurança do Egito, afetando a imagem do país. Acreditem, a situação no Sinai - especialmente nesta área limitada - está controlada”, garantiu, depois de também a CIA ter manifestado dúvidas quanto à hipótese de se tratar de um atentado, a partir do solo, da autoria do Estado Islâmico.

Com o Presidente Vladimir Putin a reforçar que “sem qualquer dúvida é preciso fazer tudo” para se perceber o que se passou realmente, as equipas de trabalho passam em revista os factos e tentam montar o puzzle, a partir dos dados que vão obtendo.

Sobre o voo 9268, que partiu da estância turística egípcia de Sharm el-Sheikh com São Petersburgo como destino, sabe-se que desapareceu dos radares cerca de 23 minutos após ter sáido do aeroporto. “Nada de anormal foi detetado antes do avião cair”, afirma o ministro da Aviação Civil egípcio , “simplesmente desapareceu do radar”.

Ainda que o site Flightradar24, que acompanha as rotas de aviação em todo o mundo, afirme ter detetado flutuações abruptas na altitude do avião e uma descida repentina e dramática, aparentemente não foi feita qualquer comunicação nem dado nenhum alerta pelos pilotos antes do sinal do voo se perder.

Satélite detetou clarão no momento do acidente

Por outro lado, um satélite norte-americano detetou um clarão na altura do acidente, um dado que está a ser analisado já que pode ter várias origens. As autoridades militares dos EUA e a própria CIA estão a tentar determinar se esse ‘flash’ aconteceu em pleno voo ou já no chão, de maneira a filtrar as hipóteses: um míssil, a explosão de uma bomba, um eventual problema estrutural que tenha provocado a deflagração ou o impacto de destroços a atingirem o solo, entre outras teses em cima da mesa.

Construído em 1997, o A321-200 é garantido pela Kogalymavia, tinha as inspeções em ordem e passou, sem prooblemas uma inspeção de rotina antes de iniciar a viagem. Um responsável da empresa garante, entretanto, que os estragos provocados por uma má aterragem, em 2001, foram completamente reparados, pelo que não considera a hipótese de o acidente poder ser explicado por este incidente.

Alexander Smirnov insiste que apenas uma “causa externa” pode explicar o sucedido, ainda que estas suas declaraçõe stenham sido rapidamente criticadas por especialistas, por serem consideradas “prematuras” e até uma ingerência nas investigações que decorrem.

As companhias aéreas devem abster-se de dar palpites, recordam as autoridades com competência na matéria.