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Internacional

Vila alemã de 102 habitantes vai receber 750 refugiados

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Um cidadão sírio, com o filho ao colo, num centro de emergência austríaco para acolhimento de refugiados, aguarda o embarque para a Alemanha

PETER KNEFFEL/EPA

É mais uma situação invulgar que não deixará de ser aproveitada pelos partidos de extrema direita no país, e não só

Luís M. Faria

Jornalista

Uma vila alemã com 102 habitantes vai acolher 750 refugiados. Sumte, que fica na Baixa Saxónia, não tem sequer uma escola ou uma esquadra. Mas há semanas foi informada de que ia receber um milhar de novos residentes. O presidente da Câmara diz que inicialmente julgou tratar-se de uma piada, e quando percebeu que não era lembrou que a vila não tem praticamente infraestruturas. Mesmo transportes públicos praticamente não existem. O Governo alemão fez então a concessão de baixar o número original de refugiados: de mil para 750.

É a última manifestação dos problemas a que dá origem o influxo de pessoas em fuga, sobretudo a partir da Síria. A Alemanha, que tem aceitado populações em número muito superior ao de outros países – tendo sido rejeitada a sua proposta para quotas a nível equitativas a nível europeu – espera que no prazo de um ano cerca de um milhão de pessoas cheguem ao país. Angela Merkel tem resistido a pressões dos seus parceiros de coligação (o CSU, “partido irmão” dos cristãos-democratas da chanceler na Baviera, e o SPD, social-democrata) para fechar as fronteiras. Mas a situação já ameaça a estabilidade do Governo.

Para já, os refugiados continuam a ser recebidos. E tudo o que são espaços públicos vazios, desde escolas e ginásios a edifícios de escritórios, é aproveitado para os receber. Embora se multipliquem avisos sobre a oportunidade que isso representa para os partidos de extrema-direita.