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Tragédia com avião russo: erro, falha, míssil ou bomba?

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EPA

Mais informações vão sendo divulgadas sobre a queda do avião russo este fim de semana no Egito, que matou todos os ocupantes. Há quatro hipóteses para a tragédia

Entre a dor e a angústia dos familiares dos passageiros do A321 da companhia russa Kogalymavia, que explodiu no sábado no ar quando sobrevoava a península do Sinai, permanecem muitas dúvidas que só a investigação poderá dissipar.

O processo de identificação dos 140 corpos recuperados já começou esta segunda-feira na Rússia, entretanto, prossegue a análise do conteúdo das caixas negras do aparelho.

O vice-presidente da companhia, Alexander Smirnov, indicou esta manhã que terá sido um fator externo que esteve na origem da explosão. “A única explicação razoável para o avião se ter desintegrado no ar é um impacto específico externo”, declarou o responsável, citado pela BBC, descartando uma falha técnica ou um erro humano.

No entanto, o avião não terá sido atingido do lado de fora por um projétil, disse à Reuters uma fonte ligada ao processo de análise das caixas negras. De acordo com a mesma fonte, não houve também qualquer pedido de socorro instantes antes da explosão do aparelho.

Apesar do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) ter reivindicado um ataque ao avião russo, a informação não foi confirmada por ninguém.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que “nenhuma possibilidade pode ser para já afastada”. Por enquanto há quatro hipóteses para a tragédia:

Erro humano - A companhia aérea insiste que não há nenhuma razão para acreditar num erro humano, mas é uma hipótese. O comandante Valery Nemov, de 48 anos, tinha 12 mil horas de voo, das quais 3682 horas em aviões A321. Foi num centro de treino na Turquia que aprendeu a pilotar estes aparelhos, refere o “Guardian”.

Falha técnica - O aparelho era regularmente alvo de manutenção, seguindo os procedimentos de segurança. A última inspeção data de 2014, segundo a companhia, que afasta a possibilidade de uma falha técnica. No entanto, em entrevista à estação russa NTV, Natalya Trukhacheva, a mulher do co-piloto do avião,
afirmou que o marido tinha comentado que as condições do aparelho deixavam muito a desejar durante um telefonema com a sua filha antes do voo.

Míssil - O autoproclamado Estado Islâmico declarou no Twitter que levou a cabo um ataque ao avião russo, contudo os especialistas internacionais acham esse cenário pouco provável.

Cerca de 23 minutos depois de ter decolado, o aparelho a seguia em velocidade cruzeiro acima do alcance máximo dos mísseis que os jiadistas terão em sua posse.

Bomba - A acreditar-se que o avião russo foi alvo de um atentado, a hipótese mais apontada pelos peritos é a de um ataque à bomba suicida.

“As informações iniciais sugerem que o avião se partiu em duas partes, o que não parece uma falha mecânica, mas talvez uma explosão no ar. Se tivesse de fazer uma suposição, estaria muito mais propenso a pensar que a tragédia foi provocada por uma bomba em vez de um míssil lançado do chão”, disse à BBC Michael Clarke, diretor-geral do Royal United Services Institute.