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Presidente turco pede “respeito pela vontade da nação”

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Tayyip Erdogan, acompanhado pela filha Sumeyye (segunda à esquerda), posa junto de simpatizantes em Istambul, depois de confirmada a vitória eleitoral do AKP

Yasin Bulbul / Reuters

Os resultados das eleições antecipadas de domingo surpreenderam, ao devolver a maioria absoluta ao AKP, o partido do Presidente Recep Tayyip Erdogan. A lira turca já registou fortes subidas na sessão desta segunda-feira

A mensagem de medo que o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) turco tem difundido sobre o emergente Partido Democrático dos Povos (HDP), um partido pró-curdo, surtiu efeito: nas eleições antecipadas deste domingo, o AKP conseguiu recuperar a maioria absoluta do parlamento, que perdera em junho. Esta segunda-feira, o Presidente Recep Tayyip Erdogan, líder do AKP, alinhou com o tom do partido e declarou que o povo turco votou pela “unidade e integridade do país”. A menção ao separatismo curdo é clara.

Em comunicado, o chefe de Estado afirmou que os turcos demonstraram “de forma muito clara” preferir “ação e desenvolvimento à controvérsia”. Já esta manhã, questionado pelos jornalistas sobre as críticas internacionais à sua liderança, Erdogan replicou: “Porque é que não respeitam a vontade nacional? [Os órgãos de comunicação internacionais] não mostram respeito desde o dia em que fui eleito, com 52% dos votos, até hoje. É esta a ideia que têm de democracia?”, questionou o homem que governou entre 2003 e 2014, para depois se tornar Presidente-

Um país mais polarizado

Erdogan aproveitou a ocasião para expressar “gratidão à nação” pela sua “maturidade democrática” e reforçou: “O mundo inteiro deve respeitar o resultado. Não tenho visto muito respeito”. Erdogan poderá avançar com o seu projeto de criar uma presidência super-executiva, tendo em vista a obtenção de poderes maiores. Reagindo aos resultados, na noite de domingo, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu mostrou-se de acordo com as ideias do Presidente, afirmando que o povo turco votou numa solução de “estabilidade e confiança”. Falta ao AKP, contudo, uma maioria qualificada (dois terços) que lhe permita alterar a Constituição (um desejo de Erdogan) sem o apoio de mais forças políticas.

Os analistas turcos afirmam que Erdogan conseguiu unir o eleitorado de direita, espalhando uma mensagem de medo sobre os partidos pró-curdos durante a campanha eleitoral. No rescaldo do ato eleitoral, o HDP acusou o Presidente de polarizar propositadamente o país para conseguir mais apoio entre os nacionalistas. Em dúvida está o cessar-fogo que Erdogan acordou em 2013 com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Moeda reagiu positivamente ao resultado eleitoral

Na sequência da maioria parlamentar recuperada pelo AKP, a lira turca registou esta segunda-feira uma forte subida face ao dólar norte-americano. Ao início da sessão, a moeda turca valorizava mais de 4%.

O AKP, liderado pelo presidente Erdogan, venceu as eleições legislativas antecipadas que aconteceram este domingo, conseguindo 315 dos 550 assentos parlamentares, com 49,4% dos votos. A vitória ocorreu contra as previsões de todas as sondagens, depois de no passado mês de junho o AKP ter perdido a maioria parlamentar pela primeira vez em 13 anos devido à ascensão do HDP, que conseguiu ultrapassar a barreira dos 10% e entrar no Parlamento turco.

Nestas eleições, o Partido Republicano do Povo ficou em segundo lugar, com 24,5% dos votos, seguido pelo Partido da Ação Nacionalista, com 12%. O HDP voltou a conseguir eleger representação parlamentar por uma margem mínima, com 10,4% dos votos.