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Avião russo. Companhia aérea afasta hipótese de problemas técnicos

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EPA

A trabalhar com vários cenários em cima da mesa, a equipa que investiga a explosão do Airbus da Metrojet admite a hipótese de ataque terrorista, mas pela existência de uma bomba a bordo. Os corpos de 140 vítimas já chegaram a São Petesburgo

Chegaram esta madrugada a São Petesburgo, Rússia, os corpos de 140 das 224 vítimas do acidente aéreo com o A321 da companhia russa Kogalymavia (mais conhecida por Metrojet), ocorrido no sábado, quando o Airbus que sobrevoava o Sinai explodiu no ar. O avião, que fazia a ligação entre a estância turística egípcia de Sharm el-Sheikh e São Petersburgo, levava 217 passageiros e sete tripulantes. Quatro dos turistas eram ucranianos e um bielorrusso. A bordo seguiam 25 crianças.

As operações para identificação dos corpos começarão ainda esta segunda-feira, adianta a agência Tass, numa altura em que psicólogos e médicos de emergência estão a apoiar os familiares das vítimas e a empresa proprietária do aparelho já veio a público para afastar a possibilidade de o acidente ter tido origem em problemas técnicos.

Especialistas egípcios começaram a examinar no domingo o conteúdo das duas caixas negras recuperadas do avião, mas o acesso à totalidade dos dados pode demorar vários dias. Os analistas serão ajudados por uma equipa de investigação russa que já chegou ao Cairo, acompanhada pelo ministro dos Transportes, Maxim Sokolov.

A hipótese de o acidente ter sido provocado por um engenho explosivo ganha força. Depois de as análises preliminares terem mostrado que o Airbus se despedaçou no ar antes de chegar ao chão, um responsável da companhia privada MetroJet explicou que “não há falhas técnicas que possam fazer com que o avião se parta no ar”. “A única explicação é algum tipo de ação exterior”, acrescentou, falando aos jornalistas.

Alexander Smirnov garantiu que o avião estava em “excelentes condições técnicas” e confirmou que os pilotos do A321 perderam “completamente o controlo” do aparelho, sem que tenham tentado fazer qualquer contacto rádio com os controladores aéreos antes de o avião se despenhar.

Descida abrupta

O mesmo tinha sido adiantado pelo ministro da Aviação Civil do Egito, Hussam Kamal, embora tal informação contrarie o que foi inicialmente avançado pelas próprias autoridades da aviação egípcia, que referiram a existência de um contacto do piloto, indicando a existência de uma anomalia e pedindo permissão para efetuar uma aterragem de emergência.

Certo é que o aparelho explodiu 30 minutos após o início do voo, segundo indicam as autoridades russas. O avião caiu numa zona montanhosa, depois de ter desaparecido dos radares e perto de alcançar a altitude de cruzeiro. Chegou a atingir os 33 mil pés, mas sabe-se que baixou de forma repentina para os 6 mil, havendo ainda registo de uma série de subidas e descidas abruptas.

Até ao apuramento oficial das causas, todos os cenários estão a ser considerados, admitiu o porta-voz do Comité de Investigação da Rússia em comunicado. Há no entanto hipóteses que não parecem muito plausíveis, como a de erro humano ou a de um ataque do autodenominado Estado Islâmico (Daesh) com recurso a um míssil.

Se por um lado o comandante do Airbus tinha mais de 12 mil horas de voo, incluindo quase 4 mil no tipo de avião que pilotava, por outro, os combatentes do Estado Islâmico não disporão da tecnologia necessária para um ataque que envolva longo alcance. A hipótese terrorista em cima da mesa existe, mas parece mais viável admitir a existência de uma bomba a bordo. Perante a ausência de uma explicação oficial para o acidente, várias companhias aéreas estão a evitar as rotas que passam pela Península do Sinai.

  • Avião russo partiu-se ainda antes de cair no Egito

    Ainda sem explicação para o que aconteceu ao avião da companhia russa Metrojet, que caiu no sábado com 224 pessoas a bordo, as primeiras análises apontam para que o avião se tenha partido ainda antes de atingir o solo. Rússia vive um dia de luto pelas vítimas do acidente