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Dia de luto na Rússia pelas 224 vítimas da queda do avião

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O presidente russo, Vladimir Putin, declarou um dia de luto este domingo, pelas 224 vítimas da queda do avião na península do Sinai

SERGEY DOLZHENKO

O avião da companhia russa Metrojet que caiu na península do Sinai levava 224 pessoas, entre as quais estavam 17 crianças, a mais pequena com dois anos. A investigação está a decorrer, numa altura em que as autoridades egípcias dizem não ter sido feito nenhum pedido de ajuda antes da queda do aparelho, contrariando o que inicialmente foi avançado. O Estado Islâmico reivindicou ter abatido o avião, mas Moscovo diz não haver “nenhuma prova” nesse sentido. Putin declarou um dia de luto este domingo

Eram 5h58, menos duas horas em Lisboa, quando o avião da companhia área russa Metrojet partiu do aeroporto de Sharm el-Sheikh, na ponta sul da península do Sinai, no Egito. O destino era a cidade russa de São Petersburgo, mas o Airbus 321 falhou um primeiro contacto com a torre de controlo e desapareceu dos radares 22 minutos depois, quando estava a uma altitude de 9.450 metros. Viria a cair às 6h17 (4h17 em Lisboa), sem que ainda se conheçam as razões do acidente.

A bordo seguiam 224 pessoas: 217 passageiros, sete tripulantes. Segundo a lista de passageiros publicada pelas autoridades russas e citada pela BBC, eram 138 mulheres, 62 homens e 17 crianças, a mais nova com dois anos. Na sua maioria eram de nacionalidade russa, mas havia também três ucranianos e um bielorrusso.

Durante a manhã ainda foi avançada a possibilidade de haver sobreviventes, mas entretanto confirmou-se a morte das 224 pessoas. Os destroços do avião foram encontrados a 35 quilómetros a sul da cidade de Al-Arish.

EPA

Ao longo do dia, um oficial da aviação egípcia, Ayman al-Mokadem, apontado como responsável pela investigação da queda do avião, afirmou ter sido feito um pedido de permissão para uma aterragem de emergência, antes de o avião cair.

Também a agência Novosti avançou, durante a manhã, que a tripulação do avião já tinha alertado para a existência de problemas nos motores do aparelho, que estava ao serviço há mais de 18 anos. O alerta teria sido feito há várias semanas, segundo a informação avançada.

Contudo, ao final da tarde de sábado, o ministro da Aviação Civil do Egito, Hussam Kamal, deu uma conferência de imprensa onde garantiu não ter havido nenhum registo de um pedido de ajuda, nem qualquer sinal de problemas a bordo.

“Até ao momento da queda do avião, nunca fomos informados de nenhuma falha, nem recebemos nenhuma chamada de SOS", disse, citado pela BBC. Hussam Kamal afirmou ainda que todos os contactos com o controlo de tráfego aéreo foram normais e que não tinham sido identificados problemas nos controlos feitos antes do voo.

A Airbus publicou este sábado uma nota, manifestando o seu pesar pelas vítimas da tragédia e dando alguma informação sobre o aparelho. De acordo com a empresa, o avião foi produzido em 1997 e estava desde 2012 na operadora Metrojet. "O aparelho tinha acumulado cerca de 56 mil horas de voo em aproximadamente 21 mil voos."

Estado Islâmico reivindica ter abatido o avião

Ainda no final da manhã, o grupo jiadista Wilayat Sinai, um braço do auto-proclamado Estado Islâmico (Daesh), reivindicou o “abate” do avião russo, num comunicado divulgado no Twitter e citado pela AFP. Segundo a Reuters, a mesma nota foi divulgada no site Aamaq, agência que se considera estar ligada ao grupo extremista.

As autoridades de Moscovo afastaram a confirmação dessa hipótese, vista como uma eventual represália à recente intervenção russa em território sírio. O ministro dos Transportes russos, Maksim Sokolov, declarou que a reivindicação dos militantes jiadistas “não pode ser considerada verdadeira”.

Também o porta-voz do exército, Mohamed Samir, afirmou ao diário britânico “The Guardian” não existir “nenhuma prova até agora que os terroristas foram responsáveis pela queda do avião”. “Em breve saberemos as verdadeiras razões, quando a autoridade de aviação civil e as autoridades russas completarem a sua investigação.”

As duas caixas negras do avião - uma com registos de voz no cockpit e a outra com dados sobre o voo - foram encontradas e estão a ser analisadas.

Entretanto, durante a tarde, a companhia aérea alemã Lufthansa e a Air France anunciaram que vão desviar as suas rotas da península do Sinai até saberem os motivos da queda do avião. “Tomamos a decisão de evitar a área porque a situação e as razões da queda ainda não estão claras”, declarou o representante da Lufthansa, sublinhando que menos de uma dezena de voos cruzam aquela região. “Continuaremos a evitar a área até ficar claro aquilo que provocou a queda.”

Também a Air France apontou no mesmo sentido. “A Air France confirma que adotou, por precaução, medidas para evitar voos sobre a zona do Sinai”, disse o porta-voz da empresa. A mesma decisão foi tomada pela Emirates.

Já a British Airways e a EasyJet afirmaram não ter intenção de alterar as suas rotas para Sharm el-Sheikh, segundo noticia a BBC.

Ao longo do dia, os familiares das vítimas foram-se juntando num hotel na cidade de São Petersburgo, onde estão as autoridades russas, assim como médicos, conta a BBC.

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou um dia de luto para este domingo.

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