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Avião russo partiu-se ainda antes de cair no Egito

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Destroços do avião da Motorjet, que caiu no dia 31 de outubro na península do Sinai depois de descolar de Sharm al-Sheik a caminho de São Petersburgo

KHALED ELFIQI/

Ainda sem explicação para o que aconteceu ao avião da companhia russa Metrojet, que caiu no sábado com 224 pessoas a bordo, as primeiras análises apontam para que o avião se tenha partido ainda antes de atingir o solo. Rússia vive um dia de luto pelas vítimas do acidente

O avião da companhia aérea russa Motorjet, que se despenhou no sábado na península do Sinai, no Egito, causando a morte a 224 pessoas, partiu-se ainda no ar antes de cair. A informação foi avançada este domingo pelo responsável do comité russo que está a investigar o acidente.

Victor Sorochenko, diretor do Comité Intergovernamental de Aviação (MAK), disse ser ainda muito cedo para tirar conclusões sobre o que provocou a queda do Airbus 321, que saiu de Sharm al-Sheikh no sábado de manhã com destino a São Petersburgo.

"A rutura ocorreu no ar e os fragmentos estão espalhados por uma grande área de cerca de 20 quilómetros quadrados", disse Sorochenko, citado por agências russas, segundo a Lusa.

Até agora foram recuperados 163 corpos, que têm vindo a ser levados para o Cairo. Na Rússia, o presidente Vladimir Putin decretou um dia de luto pelas vítimas, que eram na sua maioria de nacionalidade russa.

Segundo a lista de passageiros entretanto divulgada pelas autoridades em Moscovo, a bordo estavam também quatro cidadãos ucranianos e um bielorrusso.

Causas em investigação

Entretanto, especialistas internacionais começaram este domingo a investigação ao que terá acontecido, com as equipas de resgate a ampliarem a sua busca pelas vítimas.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, pediu que as pessoas aguardem pelo resultado da investigação para determinar a causa do acidente. O pedido surge depois de um grupo jiadista ligado ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) ter reclamado a responsabilidade no abate do avião. Tanto as autoridades egípcias como as russas têm relativizado essa reivindicação.

"Vamos deixar aos especialistas determinarem a causa da queda do avião, porque é objeto de um estudo técnico extenso e complicado", disse al-Sissi, citado pela a agência de notícias estatal egípcia MENA, segundo a Lusa.

Também o primeiro-ministro egípcio, Sharif Ismail, disse que os especialistas confirmaram que jiadistas do Daesh não poderiam derrubar o avião à altitude a que ele seguia (9 mil metros).

Contudo, é levantada a hipótese de ter sido acionada uma bomba no interior do avião, ainda que por enquanto nada se saiba em concreto. Dois especialistas de acidentes aéreos de França, onde a Airbus tem a sede, vão juntar-se a outros seis especialistas da empresa europeia para ajudar na investigação.

Nenhum pedido de ajuda recebido antes do acidente

Ao final da tarde de sábado, o ministro da Aviação Civil do Egito, Hussam Kamal, deu uma conferência de imprensa onde garantiu não ter havido nenhum registo de um pedido de ajuda, nem qualquer sinal de problemas a bordo.

“Até ao momento da queda do avião, nunca fomos informados de nenhuma falha, nem recebemos nenhuma chamada de SOS", disse, citado pela BBC. Hussam Kamal afirmou ainda que todos os contactos com o controlo de tráfego aéreo foram normais e que não tinham sido identificados problemas nos controlos feitos antes do voo.

A informação contradiz o que foi avançado anteriormente, também pela aviação egícia, dando conta de um pedido de permissão para uma aterragem de emergência, antes de o avião cair.

Também a agência Novosti avançou que a tripulação já tinha alertado para a existência de problemas nos motores do aparelho, que estava ao serviço há mais de 18 anos. O alerta teria sido feito há várias semanas, segundo a informação avançada.

Desvio das rotas para a península do Sinai

A companhia aérea alemã Lufthansa e a Air France anunciaram que vão desviar as suas rotas da península do Sinai até saberem os motivos da queda do avião. “Tomamos a decisão de evitar a área porque a situação e as razões da queda ainda não estão claras”, declarou o representante da Lufthansa, sublinhando que menos de uma dezena de voos cruzam aquela região. “Continuaremos a evitar a área até ficar claro aquilo que provocou a queda.”

Também a Air France apontou no mesmo sentido. “A Air France confirma que adotou, por precaução, medidas para evitar voos sobre a zona do Sinai”, disse o porta-voz da empresa. A mesma decisão foi tomada pela Emirates.

Já a British Airways e a EasyJet afirmaram não ter intenção de alterar as suas rotas para Sharm el-Sheikh, segundo noticia a BBC.

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