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Internacional

Morte de Asunta. Pais foram considerados culpados

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LAVANDEIRA JR./EPA

Rosario Porto e Alfonso Basterra, pais adotivos da jovem encontrada morta na Galiza em 2013 ouviram esta manhã o veredito. Júri popular considerou-os coautores do homicídio. O casal aguarda agora a sentença

Por unanimidade, os nove elementos do júri popular encarregado de apreciar o caso consideraram culpados os pais de Asunta, a jovem encontrada morta em Espanha, em 2013. Rosario Porto e Alfonso Basterra, que declararam em tribunal ser inocentes, ouviram a deliberação esta manhã: foram considerados coautores do crime, tendo a relação de parentesco e a decorrente traição de confiança ou abuso de superioridade (descrita como circunstância de aleivosia) sido consideradas agravantes.

Segundo a imprensa espanhola, e apesar de não ter sido possível identificar um móbil para o homicídio, o júri deu como provado o envolvimento dos pais adotivos de Asunta, que de comum acordo terão planeado acabar com a vida da jovem de 12 anos, que drogaram e asfixiaram, sendo igualmente responsáveis por lhe administrar - pelos menos ao longo dos seus últimos três meses de vida - um medicamento que continha lorazepam, substância que produz sonolência e sedação.

Conhecido o veredito, o tribunal negou a possibilidade de perdoar ou reduzir a pena, confirmando o pedido de 18 anos de prisão para cada um, enquanto a acusação pretende a pena máxima, ou seja, 20 anos.

O caso chocou o país vizinho, atordoado pela reviravolta que conheceu a notícia inicial, depois de os pais terem comunicado à polícia o aparente desaparecimento da menina. O cadáver de Asunta acabou por aparecer num caminho florestal, no município de Teo, Galiza, próximo de uma casa propriedade da mãe e em pouco tempo Rosario e Alfonso ficaram na mira das autoridades, como suspeitos, após entrarem em várias incongruências e manifestarem um comportamento - segundo descreveram os agentes - pouco natural.

Episódios estranhos e suspeitos

No decorrer da investigação, os dados familiares apurados desmontaram aquela que parecia uma família diferenciada e tida como perfeita. Sabia-se que Rosario Porto, advogada, e Alfonso Basterra, jornalista, estavam divorciados à altura dos factos, mas, aos poucos, surgiram notícias inquietantes. À frágil situação emocional da mãe, com sucessivos episódios depressivos e um longo historial de recurso a medicação, juntaram-se relatos de suposta violência durante a relação conjugal, testemunhos da escola de Asunta referindo ocasiões em que a menina aparecia na escola sonolenta ou mesmo dizendo que lhe estavam a ser dados a tomar uns “pós brancos” e até a descrição de um ataque, em sua casa, enquanto dormia e que teria ocorrido meses antes da data em que morreu.

Apresentando-se em tribunal com diferentes atitudes, Basterra manteve uma atitude mais desafiante e assertiva, enquanto Rosario cedeu ao choro com frequência, abatida, alegando muitas vezes não se lembrar dos dados com que foi sendo confrontada.

No caso de Basterra, e apesar da falta de provas, o júri considerou que o pai participou em todas as fases do crime. No dia 21 de setembro a família jantou junta, na casa do jornalista, onde Asunta foi drogada, de maneira a perder a consciência e ser asfixiada, sem conseguir resistir. Terá inclusivamente estado presente no cenário do crime, a casa de Teo.

Pelo lado da defesa, ambos os advogados fizeram já saber que vão recorrer da decisão “até às últimas instâncias”.