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Internacional

Dez futebolistas eritreus recebem asilo político no Botswana

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Não é o primeiro caso do tipo, e não custa perceber porquê

Luís M. Faria

Jornalista

Dez jogadores da seleção nacional da Eritreia conseguiram asilo político no Botswana, onde tinham ido há duas semanas jogar uma partida de qualificação para o próximo Mundial de Futebol. Num país que a ONU acusa de violações muito extensas de direitos humanos, já em anos recentes houve pedidos semelhantes de futebolistas em Angola, no Quénia e no Uganda. Muitos outros eritreus tentam desesperadamente abandonar o seu país.

Embora o Governo eritreu diga que se trata de migrantes económicos, a verdade é que o ambiente de repressão que se vive no país, e em particular um regime de “serviço nacional” sem limite de tempo a que os cidadãos podem ficar sujeitos – uma forma contemporânea de escravatura, segundo os críticos – bem como o recurso frequente à tortura, faz com que as tentativas de fuga sejam frequentes. Organizações humanitárias dizem não ser raro que quem tenta fazê-lo seja morto, mas o Governo nega.

Desta vez os futebolistas saíram do hotel e foram à procura de um centro da Cruz Vermelha que os acolhesse. Recusaram entrar no avião que os levaria de regresso ao seu país e ficaram instalados num centro de detenção para emigrantes ilegais até o seu pedido ser concedido.