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Atriz iraniana acusada de ser “imoral” por publicar fotografias sem “hijab”

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D. R.

Sadaf Taherian foi criticada, humilhada e corre o risco de não poder representar mais no seu país. Tudo porque a atriz iraniana resolveu publicar fotografias no Instagram onde não usava “hijab”, como forma de protesto contra a lei do Irão. “Quero viver num lugar e de uma forma que me faça sentir feliz”

Sadaf Taherian é uma atriz iraniana. Até há pouco tempo, o seu Instagram estava semeado por fotografias e selfies em que ela aparecia, com a cabeça coberta por um lenço, tal como a lei do Irão obriga. Mas esta semana Sadaf Taherian resolveu arriscar: como forma de protesto contra esta obrigatoriedade colocou várias fotografias suas na rede social, sem usar um “hijab”.

Instagram

“Estava nervosa e preocupada em relação à reação das pessoas à minha fotografia”, declarou a atriz à jornalista e ativista Masih Alinejad, para o programa “Tablet” do canal persa “Voice of America”. “Recordar o meu passado deu-me confiança para partilhar estas fotografias”, conta a atriz que afirma ter sido, por várias vezes, vítima de assédio sexual e “comentários inapropriados” em relação à sua aparência física.

Sadaf estava receosa e com razão: depois de ter publicado estas fotografias, o ministro da Cultura do Irão surgiu na televisão a acusar a atriz iraniana de ser “imoral” e prometeu rescindir a sua licença de trabalho de forma a proibi-la de representar no país, segundo noticia Masih Alinejad.

Além da ameaça do governo iraniano, choveram insultos para cima dela nas redes sociais - incluindo uma fotografia sua na qual foi acrescentado um “hijab” com recurso a Photoshop.

Instagram

“Não esperava isto das pessoas do Irão, da minha própria cultura”, disse. “Posso apenas sentir pena pela sua reação e não tenho mais nada a dizer.” Mas, apesar de tudo, Sadaf não se arrepende: “Sempre que usei um 'hijab' em frente às câmaras fi-lo por amor à minha carreira e por ser obrigatório. Quero viver num lugar e de uma forma que me faça sentir feliz.”

A jornalista e ativista iraniana Masih Alinejad, que entrevistou Sadaf (e que também foi castigada pelos media iranianos por lançar uma campanha contra o uso do “hijab”), declarou: “Mais cedo ou mais tarde, aqueles que não acreditam no uso obrigatório do 'hijab', que têm vidas múltiplas ou escondidas, irão ver as suas vidas privadas tornarem-se repentinamente públicas. E, mais cedo ou mais tarde, vai chegar o dia em que as escolhas pessoais das mulheres serão um direito e não irão enraivecer a sociedade.”