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Internacional

União Africana denuncia violações e canibalismo no Sudão do Sul

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Há milhares de refugiados do Sudão que tentam chegar à Europa

PHILIPPE HUGUEN/GETTY

Relatório da União Africana denuncia uma série de horrores cometidos durante a guerra civil do Sudão do Sul. E propõe a criação de um tribunal independente para julgar os responsáveis

Centenas de atrocidades - como massacres, violações e canibalismo - são denunciados num relatório sobre a guerra civil o Sudão do Sul, que foi conhecido esta quarta-feira. O documento foi elaborado por uma comissão da União Africana, liderada pelo ex-presidente da Nigéria, Olusegun Obasanj, e diz respeito ao período desde o início do conflito, em dezembro de 2013.

São relatos de “partir o coração”, refere o relatório, que sublinha a violência e a brutalidade dos crimes. “Pessoas que foram queimadas em locais de culto e hospitais, enterros em massa, mulheres de todas as idades violadas, ou obrigadas a comer carne humana ou a beber sangue” acrescenta o documento citado pelo jornal “New York Times”.

A comissão da União Africana propõe a criação de um tribunal independente para julgar os responsáveis pelos crimes, que foram cometidos sobretudo entre o final de 2013 e o início de 2014. Tanto o governo, como os rebeldes negam que tenham cometido tais crimes.

“Não haverá impunidade”

O porta-voz do governo do Sudão do Sul disse à Reuters que os membros do Executivo vão reunir-se na sexta-feira para discutirem uma resposta ao relatório, garantindo que não “haverá impunidade.”

Apesar de o relatório já estar preparado há um ano, só foi divulgado esta semana face ao receio de poder dificultar os esforços com vista à paz, depois se terem assinado por sete vezes acordos de cessar-fogo, que foram todos violados. Em dois anos. dezenas de milhares de pessoas morreram e pelo menos dois milhões viram-se obrigados a deixar as suas casas devido ao conflito.

Foi no dia 15 de dezembro de 2013 que a violência étnica emergiu no Sudão do Sul, após uma tentativa de golpe de Estado levada a cabo por um grupo de soldados leais a Riek Machar, ex-vice-presidente que liderou o processo de independência do país dois anos antes.

O Presidente Salva Kiir, que pertence à etnia maioritária Dinka, acusa o ex-vice-presidente Riek Machar, da etnia Nuer, de querer voltar ao poder pela força.