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Ruth Ginsburg. A juíza que se transformou num ícone pop nos EUA

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Allison Shelley/ Getty Images

Tem apelido de rapper norte-americano, inspira tatuagens e ao longo dos anos conquistou uma legião de fãs, pela sua luta em defesa dos direitos das mulheres e dos homossexuais. Aos 82 anos, a sua história deu um livro

Ruth Bader Ginsburg tem 82 anos e é juíza no Supremo Tribunal dos Estados Unidos. A luta pelos direitos das mulheres e dos homossexuais valeram-lhe um exército de fãs. O improvável sucesso, da mais velha de nove juízes que constituem o Supremo, deu origem ao livro “Notorious RBG: The Life and Times of Ruth Bader Ginsburg”, publicado esta terça-feira nos EUA.

A expressão “Notorious RBG”, que em português significa “Notória RBG”, nasceu em 2003, através de um blog, na rede social Tumblr, criado por Shana Knizhnik, recém-licenciada em Direito e coautora do livro. Para os menos entendidos em hip-hop, a alcunha provém de um famoso rapper norte-americano, que era apelidado com um nome similar, “Notorious BIG”.

A mesma expressão dá agora nome ao novo livro, que já se encontra à venda nos Estados Unidos. De acordo com a imprensa norte-americana, a obra, escrita pela jornalista Irin Carmon, com a colaboração de Shana Knizhnik, articula a história de vida da juíza com uma coleção de fotografias, ilustrações e comentários sobre a mesma.

“Notorious RBG pode ser um projeto brincalhão, mas pede para ser lido com seriedade. É uma hagiografia artesanal, franca e surpreendente para os fãs da não-ficção”, revelou Jennifer Senior, crítica literária no “The New York Times”.

Como se transformou Ruth Bader Ginsburg na “Notorious RBG”?

Depois do lançamento do blog “Notorious RBG”, Ginsburg passou a circular na Internet como símbolo do idealismo liberal. T-shirts, cartoons, acessórios e, até mesmo, slogans dizendo “Não se pode soletrar 'verdade' [truth, em inglês] sem Ruth” são exemplos do sucesso da juíza que, apesar do cargo que representa, sempre simpatizou com as paixões criadas no mundo virtual.

Ginsburg chegou ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos em 1993, depois de uma carreira dedicada a causas feministas, tendo sido uma das cofundadoras do Projeto pelos Direitos das Mulheres na União Americana pelas Liberdades Civis, nos anos 70. “A minha ideia base é que não cabe ao governo tomar decisões no lugar da mulher”, afirmou a juíza em entrevista ao The New York Times, em 2006.

A “Notorious RBG” é a favor da igualdade de género no local de trabalho, defende o combate à discriminação racial e foi uma das impulsionadoras para a legalização do casamento homossexual nos EUA, em junho de 2015. Apesar da etiqueta de feminista e de opiniões vincadas, Ginsburg sempre conseguiu manter, entre os mais conservadores, a reputação de uma juíza equilibrada.

Conhecida como uma mulher a favor da perseverança em oposição a manobras radicais, Ginsburg foi elogiada pelo “trabalho ético, rigor intelectual e precisão nas palavras”, por John Roberts, Chefe de Justiça dos Estados Unidos, diz o “Think Progress”.

O ícone do pop sempre procurou o equilíbrio da vida familiar, mais tradicional, com o lado progressista da luta em defesa dos direitos das mulheres. “Penso que a coisa mais importante que já fiz, foi deixar a Ruth fazer o que ela fez”, confessou o marido da “Notorious RBG”, Martin D. Ginsburg, que faleceu em junho de 2010, conta o “The New York Times”.

Ginsburg foi casada, mãe de dois filhos, e a segunda mulher na história a ocupar um lugar no Supremo Tribunal de Justiça norte-americamo. Em abril, aos 82 anos, foi eleita pela revista “Time” como uma das 100 personalidades mais influentes de 2015.