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Rubio, o candidato latino, marca pontos entre os republicanos

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Ao não a atacar os seus correligionários, Marco Rubio (à esquerda) conseguiu demarcar-se dos populares Donald Trump (ao centro) e Ben Carson (à direita)

Rick Wilking / Reuters

No terceiro debate dos candidatos republicanos à Casa Branca, Marco Rubio conseguiu posicionar-se como uma alternativa credível ao favorito Jeb Bush e ao execêntrico Donald Trump

Universidade de Boulder, Colorado, EUA, quarta-feira, 28 de outubro. Pouco passava das 18h (meia-noite em Lisboa) quando arrancou o terceiro debate republicano, transmitido em direto pela CNBC. Em palco estão dez candidatos à Casa Branca. Só um irá medir forças com o adversário democrata. E ao terceiro round o senador da Florida, Marco Rubio revelou-se como um dos mais bem posicionados para suceder a Barack Obama.

Voltando a lembrar as suas origens humildes, este filho de emigrantes cubanos, conseguiu ganhar terreno ao seu rival mais direto, o ex-governador da Florida, Jeb Bush, que luta por manter viva uma campanha onde entrou como grande favorito.

E um dos momentos altos do debate que durou duas horas, aconteceu logo nos primeiros minutos quando os moderadores instaram Rubio a responder ao editorial do diário da Florida “Orlando Sun Sentinel” onde era criticado por faltar às sessões do Senado.

Filho e irmão de presidentes, Jeb Bush não perdeu oportunidade para criticar o adversário: “A legislatura [no Senado] dura seis anos. Devias apresentar-te. Por acaso o senado tem uma semana laboral francesa [de 35 horas]?”, perguntou Bush a Rubio em tom paternalista.

Contra Hillary, não contra Bush

E o filho da classe operária, como gosta de se apresentar, respondeu assim ao ataque do seu mentor político: “Não me candidato contra o governador Bush. Candidato-me porque não podemos eleger Hillary Clinton [a mais do que provável candidata dos democratas] para que prossiga com as políticas de Barack Obama.” Foi como se, com um único golpe, tivesse morto do seu pai, libertando-se do homem com quem partilhou durante anos o mesmo espaço político, afirma o correspondente do “El País” nos Estados Unidos, lembrando que agora só um deles poderá seguir adiante.

As intervenções de Rubio foram, por sistema, rápidas e contundentes, evitando criticar os outros nove correligionários e reservando todos os ataques para a antiga secretária de Estado Hillary Clinton que definiu como uma “política experiente, com mais de mil campanhas eleitorais, a verdadeira candidata a abater”.

Mais oito debates em cinco meses

Até março, os candidatos republicanos voltarão a encontrar-se mais oito vezes. Em fevereiro o estado rural do Iowa será o primeiro a dizer de sua justiça num processo eletivo que há de culminar lá para o verão com a nomeação de dois candidatos à Casa Branca.

Para já, o latino de 44 anos estará a conseguir posicionar-se como uma alternativa credível, demarcando-se do extremismo e da excentricidade que caracterizam o neurocirurgião Ben Carson e o magnata Donald Trump. Mas até novembro de 2016, mês em que será eleito o sucessor de Obama, muita coisa pode (e vai) acontecer.