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Irão ponderou usar armas nucleares nos anos 80, diz ex-Presidente

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Morteza Nikoubazl/Reuters

No rescaldo da assinatura do acordo nuclear com os EUA, o ex-presidente iraniano Rafsajini diz que durante a guerra com o Iraque foi ponderado o uso de armas nucleares contra Saddam Hussein

O Irão ponderou recorrer a armamento nuclear durante a guerra com o Iraque, nos anos 80, segundo afirmou o ex-Presidente Ayatollah Akbar Hashemi Rafsanjani.

As declarações de Rafsanjani vão contra a posição até aqui defendida pelo seu país, que tem declarado que o seu programa nuclear sempre teve objetivos pacíficos
“Quando nós começámos (o programa nuclear iraniano), estávamos em guerra. Pensámos que seria possível que um dia o inimigo usasse uma arma nuclear contra nós. Esse foi o nosso pensamento. Mas nunca chegou a ser real”, afirmou numa entrevista concedida a uma revista iraniana, citada pela agência de notícias iraniana IRNA.

“Nós ainda estávamos em guerra e o Iraque chegara próximo de obter o enriquecimento (de urânio) antes de Israel ter destruído tudo”, disse Rafsanjani, referindo-se ao ataque aéreo israelita ao reator iraquiano Osirak em 1981.

“A nossa doutrina elementar sempre foi a aplicação pacifica do nuclear, mas nunca deixámos de pensar que se um dia nós fossemos ameaçados era imperativo, devíamos estar preparados para ir por outro caminho”, acrescentou.

Ao longo dos 8 anos da devastadora guerra Irão-Iraque, o regime iraquiano de Saddam Husssein, teve um programa nuclear, mas não chegou a desenvolver armamento nuclear, tendo recorrido apenas a armas químicas.

As declarações de Rfsanjani surgem numa altura em que está a ser adotado o acordo estabelecido em julho para a supervisão internacional do programa nuclear iraniano.

Durante o processo negocial que se arrastou durante anos, o regime de Teerão sempre declarou que o seu programa sempre tivera fins pacíficos. A Agência Internacional de Energia Atómica das Nações Unidas está a investigar se o programa iraniano teve objetivos militares, devendo divulgar um relatório sobre o assunto a 15 de dezembro.

Rfsanjani integrou o parlamento iraniano durante a guerra, tendo em seguida assumido a presidência do país. Atualmente, o clérigo de 80 anos chefia Conselho de Discernimento do Interesse Superior do Regime, um órgão de mediação, não-eleito, entre o Parlamento e Conselho de Guardiães. Rafsanjani é apontado como possível candidato a suceder ao Ayatollah Ali Khamenei como líder supremo.