Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Polansky tenta de novo evitar a extradição para os EUA

  • 333

Roman Polanski à chegada da 67.ª edição do Festival de Cannes, em maio de 2014

Getty

Uma vez mais, a causa tem a ver com o seu velho processo por abuso sexual de uma menor em 1977

Luís M. Faria

Jornalista

Roman Polansky enfrenta outra vez o risco de ser extraditado aos Estados Unidos, agora a partir da Polónia, o seu país natal. Encontra-se lá a rodar um filme sobre o caso Dreyfus, um episódio chave na história do antisemitismo europeu, mas uma vez mais viu-se obrigado a comparecer em tribunal para se defender. E desta vez enfrenta uma dificuldade adicional, pois o líder do partido Lei e Justiça, que acaba de vencer as eleições, disse publicamente que ele deve ser enviado para os EUA. Se o tribunal decidir pela extradição, tem de ser o Governo a autorizá-la.

O realizador, de 82 anos, é objecto de um mandado da Interpol, válido em 188 países. A justiça americana procura-o por ter tido sexo com uma adolescente de 13 anos em 1977. Já em 2009 esteve detido na Suíça pelo mesmo motivo. Embora a sua vítima tenha chegado a acordo com ele há décadas e diga que não quer que ele seja preso, os procuradores americanos têm outra opinião. No processo original, Polansky declarou-se culpado e chegou a passar 42 dias na cadeia, ao abrigo de um acordo. Mas quando teve informação que o juiz tencionava condená-lo a uma pena muito mais elevada, fugiu do país, o que fez com que o processo se mantivesse aberto até hoje.

O hábito norte-americano de perseguir antigos réus mesmo ao fim de décadas, e por vezes em países de residência onde os prazos de prescrição para os crimes em causa se esgotaram há muito, tem dado origem a polémicas frequentes. Muitos dos casos acabam por assumir conotações políticas, como aconteceu em 2009, quando se disse que os suíços queriam enviar Polansky para os EUA a troco de este país aliviar as suas exigências em matéria de sigilo bancário.

Desta vez Polansky testemunhou no tribunal de Cracóvia, a cidade onde cresceu, numa audiência que se realizou à porta fechada, a seu pedido.