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Internacional

Irão vai participar nas conversações sobre a Síria

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GEORGE OURFALIAN/GETTY

Washington e Moscovo defendem a necessidade de um “diálogo alargado” sobre a Síria. Conversações decorrem na sexta-feira em Viena e contam com a participação do chefe da diplomacia do Irão

Numa situação inédita, o Irão - que é um aliado chave do regime de Damasco - foi convidado a participar nas conversações com vista a uma solução para a Síria. Um porta-voz do Governo iraniano já confirmou a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Javad Zarif, na reunião que decorrerá na sexta-feira em Viena, refere a agência ISNA.

No encontro participarão também os chefes da diplomacia dos EUA, Iraque, Rússia, Arábia Saudita, França e Turquia.

“Penso que os líderes iranianos podem perceber que se trata de um convite multilateral genuíno para participar nas conversações sobre a Síria”, afirmou esta quarta-feira John Kirby, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, defendendo a necessidade de uma discussão alargada.

De acordo com o responsável, o encontro da próxima sexta-feira visa começar a trabalhar numa base para a transição política na Síria, com a saída de Bashar al-Assad, e o fim do conflito no país.

“Não posso dizer ao certo qual será o resultado do encontro na sexta-feira ou se será o último capítulo”, acrescentou John Kirby.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, apelou igualmente a um “diálogo alargado sobre a Síria”, frisando que representantes do Egito e do Líbano também poderão marcar lugar nas conversações.

A oposição síria já se mostrou, contudo, preocupada com a participação do Irão nas conversações, sublinhando que é um país aliado do regime do Presidente sírio.

“A presença do Irão irá complicar as conversações de Viena porque defenderão uma solução que mantém Assad. Também a intervenção russa é capaz de obstruir uma solução política”, declarou o vice-presidente da Aliança Nacional Síria, Hisham Marwa, à TV Al-Arabiya, citado pela Reuters.

Os EUA acreditam que cerca de 2000 soldados iranianos se encontrem em território sírio, embora o regime de Teerão negue a presença de forças na região, admitindo apenas o envio de conselheiros militares.

Desde o início do conflito da Síria, há quatro anos, mais de 250 mil pessoas morreram e 11 milhões foram forçadas a deixar as suas casas.