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Internacional

Família de refugiados retida há mais de 40 dias num aeroporto de Moscovo

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Terminal F do aeroporto de Sheremetyevo, onde esteve Edward Snowden

KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP/Getty Images

Por coincidência ou não, também foi numa zona de trânsito em Sheremetyevo que Edward Snowden passou 40 dias antes de a Rússia lhe conceder asilo temporário

Luís M. Faria

Jornalista

Uma família curda oriunda do Iraque encontra-se retida há mais de 40 dias no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscovo. Fugiram da sua cidade quando o Estado Islâmico a cercou, e embarcaram numa longa viagem que, de momento, parou nesse aeroporto cujo “hóspede” recente mais famoso foi Edward Snowden, em 2013.

Um casal e os seus quatro filhos, dos quais o mais novo tem 3 anos, fazem a sua vida num espaço que em tempos foi a zona de fumadores de um terminal. Apresentaram vários pedidos para lhes ser concedido asilo, mas não tiveram sucesso. Receberam a última negativa a 14 deste mês. As autoridades russas alegam que os passaportes eram forjados, mas a Síria já negou ser o caso. Porém, a família continua impedida de deixar o espaço, sob pena de cometerem um crime cuja pena vai até aos seus anos de cadeia.

Uma ativista de direitos humanos que os tem assistido, Svetlana Gannushkina, diz que a Rússia acusa a família de ter atravessado ilegalmente a fronteira. Um jornalista, por sua vez, lembra que na Rússia apenas 816 pessoas têm um estatuto de asilo permanente. Para a família, que converteu a sala numa espécie de creche, segundo descrições que têm sido feita, o desespero é crescente, até pela doença que aflige a mãe. Uma irmã desta que é cidadã russa diz que Gulistan “está muito fraca e incapaz de andar sozinha, atormentada por dores de cabeça”.