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Sismo fez 311 mortos e deixou milhares desalojados no Paquistão e Afeganistão

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HASEEB ALI/EPA

As equipas de resgate lutam ainda por chegar às zonas montanhosas mais inacessíveis do Afeganistão e Paquistão atingidas pelo sismo de segunda-feira. A situação de urgência levou mesmo os talibãs a lançarem um apelo de auxílio

Pelo menos 311 pessoas morreram – 237 no Paquistão e 74 no Afeganistão – segundo o último balanço dos números de vítimas do sismo, de magnitude de 7.5 na escala de Richter, que na segunda-feira atingiu a região montanhosa de Hindu Kush.

O número deverá contudo ser superior, pois as equipas de resgate lutam ainda nesta terça-feira por chegar às regiões mais inacessíveis próximas do epicentro do sismo, localizado 73 quilómetros a sul de Fayazabad, capital da província de Badakhshan no Afeganistão.

Estradas e comunicações continuam cortadas em muitas das áreas mais atingidas. Diversos helicópteros foram destacados para as operações em curso.

O sismo inicial de 7,5 foi seguido por réplicas, que chegaram a atingir os 4,8, a última das quais teve lugar já esta terça-feira.

Muito frio e chuva persistente há quatro dias

Para além dos mortos, o tremor de terra causou ainda mais de 2000 feridos e danificou mais de 2500 casas, causando uma situação de emergência, face ao elevado número de pessoas que se encontram desalojadas numa zona em que as condições climatéricas já se apresentam muito adversas nesta altura do ano.

“Tem estado a chover há quatro dias e o tempo está muito frio. Se nós não fornecermos auxílio depressa pode transformar-se num desastre”, afirma Abdul Habib Sayed Khil, chefe da polícia de Kunar, uma das províncias mais atingidas no Afeganistão.

Talibãs apelam à “boa vontade dos homens do campo e às organizações de caridade”

A necessidade de auxílio urgente levou mesmo os talibãs a lançarem esta terça-feira um pedido de auxílio urgente: “O Emirado Islâmico apela à boa vontade dos homens do campo e às organizações de caridade para que não sustenham o fornecimento de abrigos, alimentos e de bens de assistência médica às vitimas deste tremor de terra”.

As autoridades do Afeganistão consideram contudo que a chegada dos militares e das organizações internacionais de auxílio às zonas afetadas é dificultada pela instabilidade da região causada pela insurgência talibã.

Os Estados Unidos e o Irão são alguns dos países que se manifestaram disponíveis para fornecer auxílio humanitário ao Afeganistão, país que em circunstâncias normais já depende fortemente de auxílio exterior, devido à destruição da sua economia e infraestruturas causada por décadas de guerra.

O Paquistão declarou que não irá apelar a auxílio internacional, considerando que possui os meios necessários para as operações de resgate e assistência às vítimas do sismo.