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ONU pede fim do embargo a Cuba. EUA e Israel opõem-se

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Em abril deste ano, Barack Obama e o seu homólogo cubano Raul Castro encontraram-se no Panamá

GETTY

O levantamento do embargo foi aprovado com 191 votos a favor. O recente restabelecimento das relações diplomáticas entre cubanos e norte-americanos, alimentou a esperança de que os EUA se abstivessem na votação

A Assembleia-geral da ONU voltou esta terça-feira a pedir, quase por unanimidade, o levantamento do embargo norte-americano contra Cuba, imposto há mais de meio século, quase quatro meses após o restabelecimento das relações diplomáticas entre Washington e Havana.

A resolução contou com o voto favorável de 191 dos 193 Estados-membros que compõe o órgão plenário das Nações Unidas.

Apesar das expectativas geradas nos últimos meses, os Estados Unidos, ao lado de Israel, votaram contra esta resolução não vinculativa, que foi adotada pela primeira vez em 1992 e sujeita a votações anuais desde então. Não foram registadas abstenções.

A votação desta terça-feira tinha, no entanto, um caráter especial, uma vez que era a primeira vez que o órgão plenário das Nações Unidas se pronunciava desde que Cuba e os Estados Unidos iniciaram, em dezembro de 2014, um processo negocial para o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países.

Os Estados Unidos alimentaram as expectativas sobre uma possível abstenção na votação, mas a delegação norte-americana acabou por votar contra por considerar que a resolução "não representa" o processo de aproximação que foi encetado nos últimos meses.

"Lamentamos que o governo de Cuba tenha decidido seguir com a sua resolução anual. O texto não representa os passos significativos que foram dados e o espírito de compromisso que o Presidente [dos Estados Unidos, Barack] Obama tem defendido", afirmou o diplomata norte-americano Ronald Godard, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.

"Se Cuba considera que este exercício vai ajudar a que as coisas avancem na direção esperada pelos dois governos, está enganada", insistiu o representante norte-americano.

O texto preparado pelas autoridades de Havana saúda "o restabelecimento das relações diplomáticas entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos da América" e reconhece "a vontade" expressa por Barack Obama "de trabalhar para a eliminação do bloqueio económico, comercial e financeiro".

No entanto, o documento continua a expressar a preocupação das autoridades cubanas sobre a continuidade desta política norte-americana e sobre os "efeitos negativos" do embargo no quotidiano do povo cubano e no desenvolvimento da ilha caribenha.

Na apresentação da resolução, o chefe da diplomacia cubana, Bruno Rodriguez, sublinhou que, apesar dos avanços na relação bilateral, não tinha existido "qualquer modificação tangível" na "prática do bloqueio".

"Não devemos confundir a realidade com desejos e expressões de boa vontade. Em assuntos como este, só se pode avaliar a partir de factos. E os factos mostram claramente que o embargo económico, comercial e financeiro contra Cuba está em plena e total aplicação", reforçou Rodriguez.

A 17 de dezembro de 2014, os líderes norte-americano e cubano, Barack Obama e Raul Castro, respetivamente, anunciaram em simultâneo uma aproximação histórica entre os dois países, que estão separados unicamente pelos 150 quilómetros do Estreito da Florida e que viveram de costas voltadas durante mais de meio século.

Após vários meses de rondas negociais, os dois líderes anunciaram a 1 de julho deste ano o restabelecimento das relações diplomáticas e a abertura de embaixadas nas capitais de cada país.

O embargo contra Cuba foi imposto pelos Estados Unidos em 1962, depois do fracasso da invasão da ilha para tentar derrubar o regime de Fidel Castro em 1961, que ficou conhecida como o episódio da Baía dos Porcos.