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Internacional

Aquecimento global pode tornar inabitáveis alguns países do Médio Oriente

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Dan Kitwood

A única hipótese de evitar as catástrofes que daí resultarão é chegar a um acordo abrangente sobre descarbonização. Politicamente, continua difícil

Luís M. Faria

Jornalista

Vários países do Médio Oriente tornar-se-ão praticamente inabitáveis por volta de 2100 se o aquecimento global se mantiver ao ritmo atual, conclui um estudo agora publicado no "Nature Climate Journal", uma revista de referência. Os países afetados incluirão a Arábia Saudita, o Bahrain, os Emiratos Árabes Unidos e o Qatar.

O indicador mais relevante é o chamado índice de calor, que mede os efeitos da temperatura exterior sobre os indivíduos. Segundo o estudo, esse índice atingirá níveis entre os 74 e os 77 graus centígrados durante seis horas por dia. Em tais condições, o corpo humano não consegue sequer produzir suor suficiente para contrariar os efeitos do calor.

Não acontecerá todos os dias, mas com frequência suficiente para justificar alarme. As superondas de calor poderão causar mortes em massa, especialmente em países menos prósperos, onde o ar condicionado não esteja tão disponível como, por exemplo, no Abu Dabi ou no Dubai. Ou nos momentos de grandes concentrações humanas, como nas peregrinações a Meca.

A única forma de evitar a catástrofe é começar a descarbonizar o mundo tão depressa quanto possível. Se os países começarem a cumprir de facto as promessas que já fizeram antes da próxima cimeira sobre o assunto em Paris, existe uma possibilidade de limitar o aquecimento global a um máximo de dois graus centígrados, um objetivo que até agora se mostrou impossível de concretizar politicamente.