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Polónia vira à direita e escolhe antropóloga para primeira-ministra

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KACPER PEMPEL/REUTERS

Beata Szydlo deverá ser nomeada primeira-ministra na sequência da maioria absoluta obtida pelo partido ultraconservador Lei e Justiça nas legislativas de domingo

A desconfiança em relação à União Europeia e à Alemanha, a defesa de maior soberania nacional e de uma forte presença da NATO, para ajudar a Polónia a lidar com a Rússia, são algumas das posições defendidas pelo partido Lei e Justiça (PiS), o grande vencedor das legislativas polacas de domingo. O partido ultraconservador obteve 37,7% dos votos, segundo os últimos resultados divulgados segunda-feira de manhã. Conquistou uma maioria absoluta que lhe permitirá formar um Governo monopartidário liderado por Beata Zydlo, antropóloga de 52 anos.

Apesar de ter contribuído para amenizar um pouco as posições de maior intransigência do partido, tendo granjeado grande popularidade desde a sua nomeação como candidata, em junho, Zydlo alinha pelas posições ultraconservadoras do PiS. Há mesmo quem a acuse de ser uma figura de fachada, escolhida face à impopularidade daqueles que irão verdadeiramente governar o país, nomeadamente o líder do partido, Jarosław Kaczyński, primeiro-ministro entre 2006 e 2007.

Após a divulgação dos primeiros resultados, Kaczyński declarou vitória e fez um tributo ao seu irmão gémeo, o antigo Presidente Lech Kaczyński, que morreu em 2010 num acidente de aviação em Smolensk, Rússia. “Sem ele não estaríamos aqui hoje. O seu espírito é mais forte do que o seu corpo. Temos de manter a sua memória viva”, disse, recordando aqueles que também faleceram no acidente. “Esta é a primeira vez na história da Polónia democrática que um partido sozinho alcança a maioria”, acrescentou.

A Plataforma Cívica (PO), partido que chefiava o Governo cessante, de centro-direita, obteve apenas 23,6%, penalizada por um escândalo que atingiu vários dos seus ministros no ano passado. A viragem política nestas eleições foi tal que os partidos de esquerda deixaram de estar representados no Parlamento polaco. Entre as medidas defendidas pelo partido Lei e Justiça encontra-se ainda a oposição ao aborto e à fertilização in vitro e ao sistema de quotas para que os diferentes países da União Europeia tenham de receber refugiados do Médio Oriente e do Norte de África.