Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Como ganhar eleições presidenciais: fazendo rir

  • 333

Ao lado da mulher, Jimmy Morales dirige-se aos seus simpatizantes depois de confirmada a sua eleição

JORGE DAN LOPEZ / Reuters

Figura popular na Guatemala, o antigo comediante Jimmy Morales beneficiou da indignação pelo flagelo da corrupção, que levou à demissão e prisão do anterior chefe de Estado

Luís M. Faria

Jornalista

A Guatemala elegeu este domingo como Presidente Jimmy Morales, um antigo comediante de 46 anos. Sem experiência política prévia, Morales venceu a segunda volta das eleições com 70% dos votos, derrotando a antiga primeira-dama Sandra Torres.

Tanto um como outro basearam a sua plataforma eleitoral na luta contra a corrupção, um tema que se encontra ao rubro nesse país da América Central após a recente demissão e prisão do anterior Presidente Otto Perez Molina, apanhado num escândalo que envolve subornos para fugir aos impostos.

Juntamente com Molina, são acusados de corrupção outros altos responsáveis, entre eles o diretor do banco central e o vice-presidente do país. Em 175 países, a Guatemala ocupa a 115ª posição no índice da Transparência International (o lugar n.º 1 cabe ao país considerado mais limpo), uma ONG que combate a corrupção. Estima-se que cerca de 30% da despesa pública seja esbanjada ou usada para fins ilegítimos.

Num dos filmes em que atuou, Morales desempenhava o papel de um simples cowboy que se tornava Presidente guatemalteco. Para alguém que começou a vida a vender bananas na rua, a vitória agora obtida era inimaginável até há pouco tempo. Agora que se tornou realidade, os prognósticos dos comentadores dividem-se. Há quem lhe augure sucesso na sua cruzada, e quem recorde que ele se candidatou por um partido fundado por antigos oficiais, num país que só nos anos 80 se libertou da ditadura militar.

“Não acho que Jimmy seja uma marioneta do exército”, disse a propósito Cecilio Leiva, um antigo ministro da Defesa. “Mas como Presidente, alguns veteranos são capazes de lhe ir bater à porta a pedir posições no Governo e favores. É um risco”. O ativista Marcos Sazo reforça a ideia: “(Morales) é um homem honesto, mas as pessoas por trás dele são todas corruptas”.

Numa mensagem televisiva, Morales disse: “Recebi um mandato para limpar a corrupção que anda a comer este país”. O seu slogan eleitoral foi “Nem Corrupto Nem Ladrão”, mas as suas promessas incluíram também melhorias nas áreas da economia, educação e saúde.

Para já, tem como tarefa elaborar o Orçamento que deve ser apresentado já em novembro.