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Argentina: reviravolta nas eleições e duro golpe no kirchnerismo

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Mauricio Macri é o candidato presidencial apoiado pelo Cambiemos

STRINGER/ARGENTINA

Surpresa geral. Ao longo da madrugada desta segunda-feira, o apuramento dos resultados revelou um quase empate que nenhuma sondagem previu e da qual nem mesmo os candidatos suspeitaram. Pela primeira vez na História, os argentinos terão uma segunda volta para eleger o próximo Presidente

Se há 24 horas a dúvida era se o candidato do kirchnerismo seria eleito logo à primeira volta, agora a dúvida é se Daniel Scioli pode ser eleito. Nauricio Macri ficou dois pontos atrás, mas o efeito político é o de uma vitória.

A candidatura de Mauricio Macri ganha mais força para a campanha da segunda volta, que começou logo durante a madrugada. Entre continuidade e mudança, os argentinos a dizer “mudança”, pelo menos até agora.

Quando estavam apurados mais de 96% dos votos, Daniel Scioli tinha 36,8% dos votos, enquanto o opositor Mauricio Macri estava com 34,3%. Outra grande surpresa foi o triunfo histórico da candidata de Macri ao governo da província de Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal, que será a governadora da província mais importante do país, governada nos últimos oito anos pelo próprio Daniel Scioli. Maria Eugenia Vidal derrotou o candidato de Cristina Kirchner, Aníbal Fernández. O peronismo não perdia na província de Buenos Aires desde 1987.

Se Macri for eleito Presidente, a sua força política vai governar o distrito federal, a província de Buenos Aires e o país. Nem mesmo os Kirchner, em 12 anos de governo, conseguiram essa façanha.

Daniel Scioli (à direita na imagem, junto com o seu candidato a vice-presidente, Carlos Zannini) reagiu aos resultados com um discurso agressivo, que não é a sua característica

Daniel Scioli (à direita na imagem, junto com o seu candidato a vice-presidente, Carlos Zannini) reagiu aos resultados com um discurso agressivo, que não é a sua característica

MARTIN ACOSTA

Como reagiram os candidatos e Cristina Kirchner?

Inicialmente a reação foi silenciosa. Os primeiros números oficiais só foram divulgados seis horas depois de encerrada a votação, quando já passava da meia-noite local (três da manhã em Lisboa). O resultado da primeira volta abre uma crise política. Daniel Scioli reagiu com um discurso agressivo, que não é a sua característica. Scioli disse que, se dependesse do Macri, na Argentina não existiria.

A partir de agora, a batalha mais importante será por conseguir os votos do terceiro candidato mais votado, Sergio Massa. O candidato ficou com 21% das preferência, o mesmo nível que as sondagens previam.

No Parlamento, os legisladores de Cristina Kirchner perderam espaço mas serão a primeira minoria na Câmara de Deputados. Serão 117 deputados, dos 257 totais. Mas se a oposição se unir, terá maioria. No Senado, o kirchnerismo será maioria: 42 senadores contra 30 da oposição.

Foi a primeira vez em 12 anos que o apelido Kirchner não apareceu numa disputa para Presidente, mas a cunhada da chefe de Estado cessante, Alicia Kirchner, foi eleita governadora da província de Santa Cruz. E o filho de Cristina, Máximo Kirchner, foi eleito deputado.

O kirchnerismo quer fazer dele, no futuro, o herdeiro do legado dos pais. Ter sido eleito deputado também lhe permite ter imunidade parlamentar diante das investigações judiciais sobre lavagem de dinheiro que complicam a família Kirchner.