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Tony Blair pede desculpa por erros na guerra do Iraque

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O ex-primeiro-minitro inglês admite que o conflito teve um papel no crescimento do Estado Islâmico

Tony Blair pediu desculpas por alguns erros cometidos na guerra do Iraque, em 2003, numa entrevista que será transmitida pela CNN Europa hoje, de acordo com o jornal "The Guardian".

O ex-primeiro-ministro britânico admitiu a incapacidade de planear adequadamente o país para as consequências do derrube do regime de Saddam Hussein . "Peço desculpas pela inteligência que recebemos errada. Também peço desculpas pelos erros no planeamento e, principalmente, pela nossa incapacidade de prever o que aconteceria quando derrubássemos o regime." E admite também que o conflito está na base da ascensão do Estado Islâmico. "Claro que não se pode dizer que nós, que afastámos Saddam, não temos responsabilidade nisso."

Mais tarde, um porta-voz veio esclarecer que o antigo líder trabalhista não se arrepende, contudo, de remover Saddam ou que isso tenha sido o que levou ao surgimento do grupo terrorista. "Ele não disse que a decisão de tirar Saddam do poder tenha causado o Estado Islâmico, na altura mal se falava do grupo."

Esta entrevista está a ser vista como uma manobra de spin devido ao atraso na publicação do relatório Chilcot, que analisou a guerra do Iraque. Nicola Sturgeon, a primeira-ministra escocesa, não perdeu tempo e acusou Tony Blair de estar a preparar terreno para as críticas que poderão ser feitas no documento. "A operação de spin começou enquanto o país aguarda a verdade. O atraso na divulgação do relatório é um escândalo", disse no Twitter.

O relatório, que tem o nome do chairman que o liderou, tem sido sistematicamente atrasado, para dar oportunidade aos visados nas críticas de responderem publicamente antes de se conhecerem os resultados. Trata-se de um processo legal - chamado de “Maxwellisation” - em que indivíduos criticados em relatórios oficiais recebem alguns detalhes das críticas para poderem responder antes da publicação das conclusões.