Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Sínodo da Família. Papa Francisco apela a Igreja mais aberta e inclusiva

  • 333

ANDREAS SOLARO/AFP/Getty Images

O Sínodo da Família terminou este domingo. Divorciados recasados terão uma maior integração na Igreja Católica e apela-se à maior inclusão das pessoas homossexuais. No final, Papa alertou: “Uma fé que que não consegue alicerçar-se na vida concreta das pessoas permanece árida e, ao invés de um oásis, cria desertos”

No encerramento do Sínodo da Família - encontro da Igreja Católica para debater assuntos relacionados com a família, que se prolongou durante três semanas entre discussões acesas e opiniões divergentes -, o Papa Francisco apelou a uma Igreja mais aberta e que prefira olhar para a vida das pessoas, em vez de assentar apenas em conteúdos programáticos e receios.

“Uma fé que que não consegue alicerçar-se na vida concreta das pessoas permanece árida e, ao invés de um oásis, cria desertos”, declarou este domingo o Sumo Pontífice, numa alusão indireta a uma ala mais conservadora da Igreja que discorda destas mudanças.

O resultado de três semanas de conversações foi um relatório, aprovado este sábado por maioria qualificada, que aponta para uma maior abertura e integração na Igreja dos divorciados recasados fora da Igreja - e que não podem por isso receber a comunhão.

As uniões livres, casamento civil e divorciados recasados foram as questões mais polémicas durante este Sínodo (e que sofreram uma maior oposição), especialmente no que diz respeito ao tema dos católicos divorciados recasados pelo civil. Segundo o documento, as pessoas batizadas “que se divorciaram e voltaram a casar devem estar mais integrados nas comunidades cristãs, nas diferentes maneiras possíveis, mas evitando em qualquer caso dar escândalo.” O relatório propõe um caminho de “discernimento” que deve ser avaliado caso a caso, de acordo com as orientações da Igreja.

O acesso à comunhão pelos divorciados com um segundo casamento civil, atualmente negado pela Igreja, não é abordado neste documento.

Homossexualidade: respeito, acompanhamento e acolhimento

O Sínodo, que contou com 270 sacerdotes, chegou ainda a um acordo em relação à maior inclusão de pessoas homossexuais dentro da Igreja Católica. O relatório refere que devem ser evitadas discriminações injustas em relação a pessoas homossexuais, apesar do casamento de pessoas do mesmo sexo continuar sem ser reconhecido no seio da Igreja Católica.

“Cada pessoa, independentemente da sua própria tendência sexual, tem de ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito, para evitar qualquer sinal de injusta discriminação”, pode ler-se. E acrescenta-se ainda que, para além desta maior abertura, a Igreja deve “acompanhar as famílias que têm um membro homossexual”.

Para além da questão da homossexualidade, os trabalhos do Sínodo dos Bispos apostaram fortemente na valorização do acompanhamento das famílias, especialmente ao nível da preparação para o matrimónio e acompanhamento das famílias cristãs.

Com o Sínodo concluído e o relatório terminado, resta agora ao Papa Francisco redigir um documento final que resuma as questões abordadas e conclusões alcançadas durante estas três semanas.