Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Balcãs ameaçam fechar fronteiras a migrantes e refugiados

  • 333

BULENT KILIC/AFP/Getty Images

A Bulgária, a Roménia e a Sérvia ameaçaram este sábado fechar as suas fronteiras se os países da União Europeia (UE) deixarem de aceitar migrantes - embora reconheçam que uma solução à escala europeia seja “a melhor opção”

A decisão foi conhecida no âmbito da preparação de uma mini-cimeira de líderes europeus sobre aquela que é considerada a pior crise de refugiados no continente desde a II Grande Guerra Mundial: a Bulgária, a Roménia e a Sérvia ameaçam fechar as suas fronteiras se os países da União Europeia (UE) deixarem de aceitar migrantes.

De acordo com o primeiro-ministro búlgaro, Boyko Borisov, os três países querem uma solução para a crise à escala europeia, mas não estão preparados para se tornar uma "zona tampão" para as dezenas de milhares de recém-chegados.

Os primeiros-ministros búlgaro, romeno e sérvio reuniram-se em Sófia, na véspera de uma reunião convocada pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que tem vindo a exigir uma abordagem transfronteiriça à crise, que este ano deslocou para as costas europeias 670.000 pessoas.

O fluxo levou a Hungria a encerrar as suas fronteiras com a Sérvia e a Croácia, de modo a travar a entrada dos migrantes, tendo a Eslovénia ameaçado fazer o mesmo.

Melhor opção é solução à escala europeia

Borisov e os seus homólogos sérvio e romeno reconhecem que a solução à escala europeia é a melhor opção mas que, se outros países seguirem o exemplo da Hungria, terão de agir.

“Se a Alemanha, a Áustria e outros países fecharem as suas fronteiras, estamos prontos para fazer o mesmo e no mesmo instante”, disse Borisov. “Não vamos deixar que as nossas nações se tornem uma zona tampão do fluxo de migrantes”, acrescentou o governante.

Nos últimos meses, a Sérvia foi inundada por migrantes em trânsito da Grécia e da Macedónia para o norte da Europa, tendo a Bulgária e a Roménia permanecido, até agora, à margem do fluxo.

Hostilidade e violência contra os migrantes e refugiados

A hostilidade para com os recém-chegados tem crescido na Alemanha e na Suécia, dois dos destinos europeus mais procurados pelos requerentes de asilo, aumentando a urgência dos esforços para levar outros países da União Europeia a acolher um maior número de refugiados.

Na Suécia, a polícia revelou que uma casa destinada aos refugiados, a 90 quilómetros de Estocolmo, foi incendiada na sexta-feira, suspeitando-se de fogo posto. O prédio estava vazio no momento, mas há registo de uma dúzia de ataques semelhantes desde o início do ano e, na quinta-feira, um homem armado com uma espada matou duas pessoas num atentado racista a uma escola sueca onde muitos alunos são imigrantes.

Também as autoridades alemãs relataram a crescente violência anti-imigrante, tendo a polícia frustrado recentemente um plano de extrema-direita para incendiar abrigos para imigrantes no sul da cidade de Bamberg.

A cimeira de domingo em Bruxelas vai reunir os líderes da Macedónia e da Sérvia, que não são estados-membros da União Europeia, com os líderes de oito países da UE: Áustria, Bulgária, Croácia, Alemanha, Grécia, Hungria, Roménia e Eslovénia.

De acordo com a imprensa alemã, Juncker elaborou 16 propostas para as conversações de domingo, incluindo uma que estabelece que nenhum país pode deixar passar migrantes para os países adjacentes sem primeiro obter o acordo das nações vizinhas.